Em nascer. Chorar aquele chorinho apetitoso aos ouvidos de nossa mãe.
Dar os primeiros passinhos titubeantes e inseguros sob os olhares daquela que nos gerou. Colecionar galos na testa que somente desinflamam sob um beijinho doce da nossa mãezinha que por toda a vida da gente zelou.
Passar de jovens a adultos deixando a infância de lado. Envelhecer ao revés. Que sonho gostoso voltar a ser meninos de novo…
A vida não se resume a ver a terra girar no entorno do astro rei.
Como se o sol fosse a única bolacha do pacote e não existissem outros planetas iguais ou semelhantes ao nosso.
E fomos chamados de egocêntricos por só começar pelo eu.
Como se os demais não existissem.
“Sou filho único. Tenho minha casa pra olhar”.
E meus pais para me policiar.
Isso de ser filho único não me soa bem.
Ser o primeiro e derradeiro numa família de apenas três pessoas.
Ter apenas uma cadeirinha cativa à mesa de refeições. Ter satisfeitas todas as nossas vontades e prazeres. Um reizinho que reina solitário ditando as normas pra elezinho rígidas como cerne de amoreira.
Ditar regras como um ditador de algum paiseco terceiro mundista.
Tendo seus pais fazer-lhe todos os mimos.
E quando o nosso principezinho retruca ou empaca é um Deus nos acuda. Seja feita a sua vontade padre nosso amém.
Ah! Se eu fosse um dos seus pais e não avô a coisa seria diferente
Desceria a vara de marmelo de cima do armário e a poria pra funcionar.
Algumas varadinhas não lhe fariam tanto mal quanto as bajulações têm feito àquela criança mimada. Para a qual fazem todas as vontades mesmo que sejam coisas erradas.
Não é assim que se ensina uma criança. Dando a ela somente presentes de sua apreciação ao invés de presenteá-la com livros. Os melhores educadores depois dos professores.
Profissionais de gabarito. Sem eles não existiriam médicos. Engenheiros muito menos cobradores de impostos.
A vida não se resume nisso. Filhos únicos são um mal sem cura ou desejo de acertar na mega sena.
Um lar para ser de verdade. Na minha concepção modesta que pode ser errada.
Carece dividir a cama com uma cambada de garotinhos sapecas. Cujas faltas sejam corrigidas com palmadas nas suas bundinhas até que elas se avermelhem parecidas a tomates maduros.
A vida para ser vivida em sua plenitude máxima carece botar o trem nos trilhos. Antes que os vagões descarrilhem de vez.