Balanço-me entre esses dois gramados

Sempre tive enorme prazer em correr pelos gramados verdes e bem cuidados.

Tanto pelos campinhos cambetas da minha roça. Como por aqueles que enfeitam os estádios de futebol. Paixão não apenas verde e amarela como espalhados pelo mundo inteiro.

Embora digam que Deus é brasileiro quem saiu vencedor da última copa do mundo foi o time do país do Papa. Grande vizinho nosso mais ao sul. Onde se dança o tango e se fala o castelhano.

Existem dois tipos de gramados. Um que se grafa em maiúsculo e outro em letrinhas miúdas.

E tenho verdadeira adoração por ambos. Tanto pelo meu cada vez mais viçoso que mora em minha rocinha. Em virtude das derradeiras chuvas que têm caído naqueles campos férteis e produtivos. Cujas roças de milho esperam a hora e a vez de serem enfiados num buraco de véspera preparado para receber as espigas e os pés de milho no tempo certo sob a forma de silagem. Para alimentar as vacas em lactação e as outras sempre famintas.

E ao outro gramado. Em cuja cidade sulina estive por uma vez apenas durante uma visita rápida durante um congresso de Urologia acontecido nos anos perdidos de 1980.

A bela cidade de Gramado. Cidade situada mais ao sul do país. No estado onde moram as mais lindas mulheres misses. A maior parte delas louras e de olhos azuis. Comunidade influenciada pela colonização alemã do século 19. Esta mesma cidade tem um toque bávaro com chalés alpinos chocolateiros e e lojas de artesanato.

Gramado é também conhecida pelas suas exibições de luzes natalinas. E pelas hortênsias em flor na primavera. O lago negro disponibiliza alugueres de barco e caminhadas na floresta. Enquanto as montanhas da serra gaúcha possuem trilhas de caminhadas e alpinismo.

A população, pelo senso de 2020, sinaliza cerca de 36555 felizes moradores.

Já no gramado da minha roça não moram tantas pessoas. Ali se encontram passarinhos à cata de bichinhos dos quais se alimentam devagarinho. A fim de levar aos seus ninhos petiscos de encher os bicos dos seus filhotinhos.

E ele não cresce tanto quanto na outra Gramado. Esta cidade maravilhosa onde estou a passar as festas de final de ano com parte da minha família. A admirar o Natal Luz. Em espetáculos de fazer inveja aos palcos da Broadway. Ou a qualquer efeméride de quase igual quilate. Esparramados pelo mundo inteiro.

Gramado cidade luz não se rivaliza em formosura. Por sua tecitura verde mata. A qualquer cidadezinha bucólica da linda Suíça. Ela pra mim é mais linda ainda.

Agora o calor se faz presente. O céu azuleia por inteiro. Andando pela cidade. Seja no clarume dos dias. Ou na escuridão da noite. A gente se permite a algumas extravagâncias. Tais como degustar o sabor inconfundível de um chope gelado ao ponto de não nos deixar resfriados ou com uma sinusite que nos entope as narinas. Ou, para quem preferir o sabor amanteigado ou amaro de um bom chocolate. Sirvam-se à vontade. E não se queixem à balança se ela lhe disser que você está fugindo dela.

O que tem me encantado nesta Gramado cidade sulina é a cordialidade dos gramadenses.

Onde estou hospedado. Num confortável e espaçoso apartamento. Localizado num bairro de classe não tão opulenta. A natureza nos intima a uma reflexão. Como conviver com ela sem agredi-la ou assaltá-la em intimidade assaz invejável.

Belas casas enfiadas dentro das matas nos passam sossego e paz.

Uma delas me encantou perdidamente.

Estávamos nós em comitiva familiar em direção a uma fábrica de chocolate perto de nossa rua quando me deparei com um senhor. Clarinho como flocos de algodão. Com o torso desnudo irrigando a grama de um jardim. Fazia intenso calor.

A ele me acheguei. Puxei prosa. Tentei me comunicar em alemão. E ele me respondeu na mesma linguagem que se fala no Brasil.

Embora ele tivesse nascido na Alemanha não sabia, sequer, me saudar com um guten morgen ou wie gets.

E aquele senhor, fofo como me disse sua linda filha, a qual morava naquela linda casa. Antes de nos despedirmos me disse que, embora fosse de poucas letras, iria perguntar a sua filha, que a hora estava no banho. Se porventura ela gostaria de adquirir um dos meus livros.

E como livros abrem portas e portões. Eles nos tornam. A quem os escreve. Em super heróis. Como Batman e Superman.

E fui caminhando morro abaixo e descida de igual compostura.

Até chegarmos a uma praça de esportes fincada numa planura.

Ali morava um gramado ainda mais verde que o da minha roça. E uma academia fincada numa outra pracinha desta vez de piso cimentado e duro.

Foi lá que fiz outros novos amigos. Apresentei-me como urologista e escritor mineiro. Admirador confesso daquela Gramado verde e hospitaleira.

Acabei fazendo uma preleção. Sob o lume do meu site- paulorodarte.com. Sobre algumas peculiaridades da minha especialidade.

E os novos amigos não arredavam pé.

Existem Gramados e gramados. A primeva em maiúscula e a segunda em letras minúsculas.

Se me perguntarem a qual prefiro respondo: “as duas.”

Cada uma delas com suas qualidades e virtudes. Depende do foco em questão.

 

 

 

 

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