Juro que vi! E acredito sim

Qual a razão. Penso eu. Seriamos nós. Gente, mesmo diferente como somos. Os únicos seres pensantes que vivemos folgadamente ou à mercê de apertos. Neste planeta tão lindo e privilegiado. Mesmo sendo agredido e maltratado. Quase se torna um maltrapilho. Como pedintes. Esmolantes. Que vivem assentados aos passeios. Levando chapéus rotos nos joelhos. Ou as suas maltratadas mãos a implorar por ajuda de terceiros. Já que desempregados se tornam um contingente cada vez mais frequente  misturados à endinheirados.

Já que maior parte da riqueza em nosso díspare Brasil se amontoa a uma ínfima minoria. Que transferem enormes percentis de suas fortunas aos paraísos fiscais. Sobejamente conhecidos. Entre eles cito a Suíça. As ilhas Cayman. As lindas Bahamas. O diminuto Luxemburgo. O país do canal. Que empresta o seu nome a um famoso chapéu. A estes poderia acrescentar outros desconhecidos pra mim. Não pelos biliardários. E como os temos por aqui e por acolá.

Seria a lua habitada apenas pelos lunáticos e sonhadores? Marte apenas pelos marcianos? Júpiter seria mesmo o maioral entre todos os congêneres? E o lindo Saturno? Seria em verdade casado como inúmeras planetinhas já ele usa em sua órbita os famosos anéis de Saturno?

E qual seria a aparência dos seres extraterrenos? Como o tal ET?  Linda película a qual já assisti tantas vezes. Quando aquelas crianças tentam esconder o seu amiguinho. De um jeito nada convencional. Com poderes miraculosos. Levando-o voando em suas bicicletinhas que ao revés de rodarem vão pelos ares. Com aquele caroninha misterioso. Até que ele se sinta a salvo dos ditos humanos. Apesar de considerar muitos terráqueos cheios de desumanidade.

Numa cidade vizinha. Para a qual tive de me descolar no dia de ontem a fim de fazer uma revisão. Já esperada na minha quase nova caminhonete Oroch. Nascida na conceituada fábrica da Renault. A uma hora apenas de nossa querida e não tanto desenvolvida Lavras.

A minha curta viagem teve início a hora imprecisa das seis e meia da manhã de ontem.

Confesso que me perdi. Aliás, eu e minha Oroch nos perdemos. São tantas vias expressas. Atravessei viadutos sem salvo condutos. Avenidas e ruas sem indicação dos seus nomes ou sobrenomes. E como Varginha. Cidade linda como são as minhas primas ABREUS e suas filhas e netas. Se desenvolveu bem mais que a nossa cidade.

Tão diferente quando eu. Paitrocinador de meu filho Stenio. Levava-o junto a outros jovens tenistas. Daqueles idos anos quando ainda praticava esse esporte. Dentre todos o meu predileto. Ao maravilhoso clube de nome Campestre. Logo à entrada daquela cidade municiada d’água pelo Rio Verde. Que escorre lentamente pelos lados de lá. Não de cá.

E meu filho Stenio. Hoje advogado. Causídico como foi meu tio Francisco Rodarte. Seu filho Negis. E meu saudoso pai Paulo José de Abreu.

Quando chegávamos àquele lindo clube varginhense Stenio era chamado o Terror da Candelária.

Pois, naqueles idos anos não havia um só praticante daquele esporte das raquetes e das bolinhas amarelas que a ele vencesse. Era o campeão dos campeões. Pra mim uma imensa satisfação em ficar quase sem me manifestar do lado de fora das quadras sem emitir um gritinho que fosse. Sem um aplauso ou um apupo quando ele perdia uma jogada.

A antiga Varginha do Cine Rio Branco.

Ainda me lembro de quando fui ao cinema com minha não ainda namoradinha. Uma das lindas primas de Varginha. Há anos não vejo a Nicia.

Hoje a cidade. Pra onde tudo vai. Quando deveria ser instalada por aqui.

E, por falta de quem nos represente numa das duas câmaras tudo migra para a cidade onde um ET se notabilizou.

E ainda existe crença ou descrença sobre a veracidade do tal extra terrestre.

O fato é que ufólogos tentam nos convencer com seus argumentos de especialistas que os extraterrenos existem. E que eles chegam em objetos voadores não identificados. Os OVNIS.

O único disco voador que já vi voar foi um prato atirado com ímpeto em minha direção quando minha querida esposa. Um tanto quanto raivosa. Pelo simples fato de eu não lhe ter obedecido a uma ordem expressa. E ao invés de sim disse não. Por sorte o tal prato não me atingiu. E ficou em cacos. No piso da cozinha. E eu tive de catar os caquinhos. Não catar coquinhos. Como gostava de fazer à sombra de um coqueiro. Quando estive numa praia baiana.

Uma vez na concessionária da Renault. A Via Mondo. Durante a espera numa salinha modesta.

Ouvindo explicações sobre o que deveria ser feito na minha Oroch. A tal mocinha mo afiançou que de fato cria no ET.

Duas amigas suas foram testemunhas oculares do tal fato.

“Tudo se deu num lote vazio. Era noite. Não sei precisar a hora. As minhas duas amigas se preparavam para voltar às suas casas. E, de repente, sem mais que num repente, lá estava ele. Uma figura confusa e esdrúxula. Muito parecida àquela do filme do Steven Spielberg. Não tivemos tempo de saber de onde elezinho viera. Se da lua ou de marte. Se dos cafundós de judas ou da rocinha prejuizenta de um médico urologista. Da cidade de Lavras. Na zona rural de Ijaci. Esse mesmo médico é metido a escritor. Apesar de inventar tantas coisas parece que o caso do ET não foi mais uma obra de ficção dele”.

A tudo ouvi sem emitir opinião. Conheci a Varginha de dantes. Essa que conheci ontem pra mim foi uma grata novidade. E como ela se modernizou. Agora tem um shopping center de causar inveja a qualquer um de qualquer capital brasileira. Onde o carequinha da Havan. Amigo chegado do Bolsonaro. Tem uma bela loja.

Varginha agora é um centro médico que rivaliza e talvez supere o que temos por aqui. Nunca vendi tantos livros como naquelas parcas horas.

A cada livro oferecido. Levei apenas uma dúzia. Noventa por cento acabaram sendo comprados.

Voltei a minha Lavras com a mochila cinza quase vazia. Não de felicidade. De livros.

A mesma simpática recepcionista da concessionária da Renault afirmou-me indubitavelmente:

“Eu juro que acredito que um dos ETS pousou na cidade. E ficou sem saber se ficava ou ia embora pra Pasárgada.”

Já se fazia mais ou menos tarde. Depois de um lauto banquete na casa da minha prima Bete. Não sei se com th ou te. Esposa do grande empreendedor Marco Cavalcanti. Acabei agradecendo-lhes a amável hospitalidade. E parti rumo à Lavras. Não em direção a Pasárgada.

Se, por acaso, eu tivesse me encontrado com o tal ET. Se fosse nas vésperas das eleições de domingo próximo. Eu a ele perguntaria: “você. Ou o senhor. Não sei qual a sua idade. Votaria no Lula ou no Bolsonaro?”

Ele emudeceu e desapareceu no seu disco voador. Não tive resposta à minha indagação.

Já eu respondo. E não me calo. E não pisem no meu calo se digo que: “juro que acredito no ET. E creio sim num país melhor. Tendo o atual presidente como nosso mandatário maior”.

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