Como definir coragem?
Segundo me foi assoprado nos ouvidos, por um amigo mais entendido, coragem dá no mesmo que: substantivo feminino (será que apenas as mulheres são tidas como corajosas?).
Que seja a palavras coragem o memo que moral forte perante o perigo. Não se acovardar frente aos riscos que a vida nos oferece. Bravura. Não ser bravo com as pessoas. Deve sim ser gentil com aqueles que nos rodeiam. Ser intrépido. Ter firmeza de espirito ao enfrentar uma situação emocional adversa ou moralmente difícil. Desmoralizar o medo ou o temor. Palavras sinônimas.
Segundo a gramática a palavra coragem tem origem no latim- CORATICUM. O termo latino é composto por COR. Que significa coração. Seguida do sufixo ATICUM. Que é utilizado para indicar uma ação referente ao radical anterior.
De vez em sempre me indago: seria coragem uma virtude ou um defeito?
Tudo vai despender das circunstâncias.
Ser por acaso você estiver correndo por uma estrada vicinal. Cascalhenta e pedregosa. Em direção incerta como vai no nosso amado Brasil. Bem cedo ainda. Estrada vazia. E, se não estiver levando um pedaço de pau na mão. E um canzarrão tentar meter os dentes em suas pernas. Não se trata de uma virtude e sim uma imprudência.
Em certas ocasiões melhor se acovardar. E não bancar o corajoso. Como eu de vez em quando fazia para impressionar uma garotinha de lindos olhinhos azuis piscina limpa.
Ao entrar numa briga ruim com meu oponente forçudo e muito mais alto do que eu.
E acabava levando uma tunda que até hoje deixa lembranças na minha bunda branquinha cheia de vergões resultados das varadas de marmelo que minha saudosa mãezinha usava para me castigar por um ato falho.
Coragem. Na minha não estulta observação. É enfrentar o dia após dia. Tentar guarnecer a despensa sempre vazia com uma nota de cem reais. Voltando pra casa com o carrinho de supermercado quase às traças. Vazio como a barriga da sua penca de filhos. Famintos prestes a comerem um pão amanhecido. Tentando dividi-lo com mais dez ou doze rebentos.
Ter coragem é pedalar. Nas horas de trânsito pesado. Numa grande cidade como São Paulo. Desviando-se dos autos enfurecidos. Prestes a atropelá-lo.
Munir-se de bravura indômita é atravessar um mês inteirinho com um salário mínimo. Já que as coisas nas lojas da vida ficam. Segundo as estatísticas. Com preços subindo tal e qual foguetes em direção ao planeta Marte.
Ser bravo. No sentido de ser corajoso. É tentar enfrentar uma mulher raivosa. Tendo como arma uma bolsa recheada de coisas e loisas tantas que nem tento declinar quais sejam.
Ser considerado dotado de valentia indômita é tentar atravessar uma periferia de má fama com o seu celular último tipo dando sopa no bolso de trás da calça. Como costumam fazer certas damas que nem mais são assim consideradas. Pois de há tempos já perderam o lacre da castidade. E passaram de damas a mulheres mundanas.
Ter coragem. Segundo ontem aprendi. Numa frase de rica inspiração, lida num lugar qualquer. Que dizia assim.
“Uma flor pisoteada num canto do passeio pode se fingir de morta. Mas, mesmo sem cuidados. Ou sem a presença da abençoada chuva renasce”.
A isso da mesma forma chamo de coragem ou destemor.
Embora considere um cadinho de medo necessário.
Ainda me lembro das chineladas de couro cru. Que meu pai me dava nos fundilhos. Na sóbria intenção de me corrigir. Quando, ainda menino. Artioso e levadinho da breca. Que, ao revés de ficar horas perdidas manuseando os tablets.
Gazeteava a derradeira aula de aritmética. Disciplina que detestava. Não que fosse indisciplinado.
Mas, do lado de fora da sala de aula uma aluninha de pernocas lisinhas. Não sei o que nos dias de hoje foi feito dela. E era exatamente elazinha que cortejava. Apesar de respeitosamente. Só dando dolhos no vestidinho curtinho que ela usava. As tais minissaias que acabaram em desuso. Já que nos tempos de hoje as vestes são tão mínimas que permitem-nos ver além das entrelinhas. Expondo-lhes mais que a ínfima intimidade. E já no primeiro encontro íamos às vias de fato. Sem o velho costume de primeiro metermos a mão na sua mão. Depois a mão naquilo. E, sem mais delongas aquilo naqueloutro. E da nossa relação não tanto inocente resultava uma prenhez inconsequente.
E quem paria o Mateuzinho não o embalava. E sobrava para a nossa avozinha a incumbência de criar os netinhos resultados daquela atitude impensada. Sem a devida prevenção. Já que as camisinhas ou condons nem eram conhecidos. Pois os garotinhos safados até hoje dizem que transar com camisinha é como chupar bala de mel com papel.
A tudo isso. E muito mais chamo de coragem. E vocês?
Têm coragem suficiente para negar este me texto? Se sim escrevam algo melhor.