O jovem jogador de futebol que corria atrás de uma bola de capotão murcha como seu futuro

Aquele era um garoto. Que, como eu fora.  Que amava os Beatles e os Rolling Stones.

Seu sonho.  Manifesto numa padaria perto de um posto de gasolina nas proximidades da pracinha do Colégio de Lourdes. Onde estuda meu netinho Gael. Era ser jogador de futebol.

Como eu estava ao seu lado. Tomando meu cafezinho matinal. Não só puxei prosa como a ele prometi pagar sua frugal refeição.

Ele, minutos antes perguntou à dona da padaria quanto iria ficar sua conta. Modesta. Com certeza. Ouvindo atenciosamente a prosa decidi. Caso ele me contasse qual seria a sua aspiração no futuro. Se era mesmo se tornar. Mais alguns anos adiante. Tal e qual um Neymar. Ou um Edmundo. Ou até mesmo um Romário que se tornou senador. Não pelo meu voto. Do qual nunca seria eleitor. Mesmo se morasse no lindo Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa cheia de encantos mil e muito mais.

Já critiquei distintos jovenzinhos. Os quais traziam no verso de suas camisetas nomes de atletas da bola redonda. Não mais feita em couro como as velhas ditas de capotão.

A um deles perguntei: “não seria de melhor alvitre levar às costas de camisa nomes como de Gabriel Garcia Marques. Mario Vargas Llosa ou outro grande escritor qualquer?

O mesmo nem deu tchum à minha pergunta pra ele impertinente. E continou indolentemente sua caminhada de ouvidos moucos. De foninho ligado, provavelmente ouvindo alguma musiquinha não das minas prediletas. Decerto um funk.

E aquele jovenzinho embonezado. Com seu boné vestido de trás pra frente. Da corzinha de uma jabuticaba madurinha. E como eu gosto delas chupadas no pé da minha roça. Me disse que iria jogar no campo da Ferroviária. E iria lá pelos próprios pés descalços.   Se nem um par de chuteiras possuía.

Apiedei-me de sua pessoinha cheinha de sonhos de ser igual a um tal Neymar ou.

Caminhando ao revés que tal ser comparado ao Rei Pelé? Seria muita pretensão de sua parte ou da minha.

Ia em direção à minha roça.  A minha nova caminhoneta estava estacionada no posto perto da padaria.

Penso jamais ver o jovem futebolista novamente. Quem sabe jogando na próxima Copa do Mundo. No mesmo time de outros Neymares e outros ícones de pés de barro quaisqueres.

Neste país conhecido como o pais do futebol e do carnaval. Jovens como ele só sonham e devaneiam com aquilo. Não restam dúvidas que a nossa pátria veste nos pés chuteiras.

Ao invés de investir em livros educação e cultura.

Faço uma torcida imensa que o futuro daquele jovenzinho seja díspare de outros Romários. Edmundos ou Neymares.

Que em verdade sejam craques na bola. Não a velha bola de capotão a que fui acostumado na minha infância perdida.

E o futuro daquele jovem sonhador em ser mais um jogador de seleção brasileira seja coroado de êxito.

Que ele em verdade seja mais um craque. Que não use a pedra do crack.

Que seja viciado num bom futebol. E, jamais se torne mais um viciado em drogas.

Nesta droga de vida que muitos viciados transformam as suas em verdadeiras drogas de vida.

Meu jovem amigo, que tomou café na mesma padaria que eu tomei.

E a sua conta ficou ao meu encargo.

Não deixe sua bola murchar. Jogue um futebol com estilo.

Como foi bom ver Pelé e Tostão jogar. Ou a folha que nunca irá secar como a de Didi.

Estude. Aculture-se.

A carreira de um jogador de futebol dura menos que a florada dos ipês.

Cuidado para que sua bola de capotão não esvazie como os anos irão esvaziar a fama efêmera como a de tantos seus futuros colegas de farda.

E, quando. No nosso futuro café da manhã eu não tenha de pagar a sua conta.

Será você. Futuro campeão na vida. Que vai pagar a minha.

 

 

 

 

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