O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio de uma noite escura. Um palito de fosforo não ilumina quase nada. Mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor.
Ao mesmo tempo o corpo humano é a carruagem. Eu, o homem que a conduz. Os pensamentos as rédeas. Os sentimentos os cavalos.
Se te faz bem continue. Ninguém mais precisa entender as suas escolhas.
Estas frases acabei de retirar do Face. Como disse antes por vezes o Face me inspira e me faz suspirar.
Daí sempre posto meus textos no Facebook. Na intenção única de outros amigos deles compartilhem e tirem proveito.
Sabido e ressabido que ler prejudica claramente a sua ignorância. Mais uma frase iluminada do mesmo Face.
Na minha vida pregressa tenho feito escolhas.
Bem antes, ainda criancinha mimada. Antes dos dois ou três anos não sabia identificar qual seria o certo e o errado. Não sei a partir de qual idade passei a entender melhor as coisas.
Acabava numa incertude que sempre me confundia. Mal sabia eu, menino criança, qual seria o melhor brinquedo. Se seria aquela bicicletinha semi nova. Que foi achada num ferro velho? Ou até mesmo a outra. Novinha comprada na loja defronte à minha casa. Que me foi dada de presento no meu quinto aniversário. Quando aqui cheguei. Nesta cidade que considero como meu próprio berço. Embora tenha nascido numa cidade próxima. Hoje um ponto turístico assaz procurado pelos amantes de esportes náuticos. Onde nasceram importantes personagens que não só inseriram cultura em cabeças um tanto incultas. Como ainda deixaram. Pós mortem. Além de doces melodias ao piano. Nelson Freire nasceu na mesma cidade minha. E, Rubem Alves, da mesma maneira, ali teve seu berço. Não sei se douro ou apenas tinto em doirado.
Depois de certa idade creio ter optado pelo lado certo. Por muitas veze me equivoquei. Enveredei-me pela esquerda. Hoje. Já muitos anos são passados pelo lado direito acredito ter feito a escolha acertada. Em alguns dias apenas. Que faltam para o segundo turno das eleições ao cargo maior da nação brasileira. A minha escolha recai. Uma vez mais. Pelo candidato palrador. Dizem que falastrão. Que se casou mais de uma vez. Dizem as línguas ferinas que esta atitude impensada. Ou bem. Não faz parte do livro sagrado.
E eu me pergunto: “por que continuar a viver com a mesma parceira. Que seja a primeira ou a undécima terceira. Se o casal mantém um consórcio falido. Ou até mesmo chamado de casamento por conveniência. Cada um falando línguas dispares. Sem ao menos demonstrarem carinho, respeito, admiração um pelo outro. Se o lar, que deveria ser um local de descanso e união se transformou num ringue de box. Cada um no seu corner. A se digladiarem continuamente. Tendo como espectadores as carinhas tristonhas dos filhos ou netos. Sem saber de qual lado se posicionarem”.
Já fiz várias e variadas escolhas vida afora.
Um dia. Já se passaram anos e desenganos. Quando ainda morava naquela mesma rua. A Costa Pereira hoje radicalmente transfigurada. Repleta de famílias cujos sobrenomes ainda me lembro. Um dia me meti numa briga de rua. Como era um garoto franzino e fracote. Embora valente e atrevidinho. Acabei topando uma briga ruim. Fiz a escolha errada. Escolhi o lado equivocado. Eram três contra unzinho. Entrei justamente no lado de um amiguinho baixotinho como eu. E os três oponentes eram altos e parrudos. Imagina que surra levamos. Saí com um olho roxo e alguns hematomas no lombo. Por sorte foi só. Mas bem que poderia ter sido uma tunda maior.
De outra feita. Para não fazer desfeita a uma garotinha a qual cobiçava. Por causa de suas perninhas grossas e lábios tintos em vermelho sangue novo. Acabei me desentendendo com um oponente bem maior. Xinguei o meninão que mais parecia um touro Miura. Preto e chifrudo como aqueles usados nas touradas de Madrid. E, por não fugir da luta quase fui enterrado prematuramente. Debaixo de sopapos e pontapés.
Outras escolhas feitas merecem menção.
Sem caso na família Rodarte ainda. Por ser o neto mais velho do meu avô Rodartino Rodarte.
Decidi-me pela medicina. Meu pai era bancário. Minha saudosa mãe Rute professora. Meu irmão Fred engenheiro. E eu, tanto o primeiro filho como o neto de mais anos. Acabei me graduando naquela turma da universidade federal da UFMG. Em um mil novecentos e setenta e quatro.
Creio ter sido uma escolha acertada.
Exatamente na noite em que meu pai – Paulo José de Abreu- partiu, escrevi minha primeira crônica. De nome Réquiem a um pai sem limites.
E depois não mais parei de escrever.
Já nos dias de agora ainda me encontro sem saber qual a escolha mais acertada.
Se vou adiante na medicina? Ou se me envolto por completo na literatura. Não médica ou cientifica.
Pensando bem melhor creio que posso exercer as duas.
Já que tenho a urologia como esposa. E pela literatura a minha amada amante.