Amar é necessário assim como respeitar a pessoa amada é essencial.
Que palavra bonita, encantadora, linda com uma orquídea em flor, essa amor.
Ela merece ser sublinhada de tão sublime que é.
Grafada em negrito como a deixei escrito. Em maiúsculo melhor seria pra tentar alcançar a magnitude, a grandeza em toda extensão que o amor deveria existir.
Amor tem diversos matizes.
Desde cores tão lindas como as do arco íris. Ou cinzentas como um dia nevoento em que o vento, levando folhas mortas na ventania assopra pra bem longe as cores lindas de um pôr do sol. E de repente, sem mais que num repente. Passa veloz logo em frente uma pessoinha novinha que. Sem idade pra sentir amor tudo na sua vidinha se transforma num dia sem cor. Sem odor cercado em permeio de muito desamor.
Amor, que palavra doce. Em nosso rico idioma feita de apenas quatro letrinhas. Começa por a, segue-se o m. Permeia-se pelo o e culmina por r.
Simplesinho não?
Deveras o amor não deve ser complicado nem encompridado por quem ama de verdade.
Deve-se amar sentindo o coração palpitar de emoção ao ver a pessoa amada.
Amor deve ser tal e qual um bumerangue. Não como uma folha morta que o vento sopra e ela não volta. Tendo um triste destino de ser varrida e jogada no lixo para ser incinerada.
Amor deve ser repartido em duas metades iguais.
De nada adianta um amar a outra e ela não corresponder ao amor desvairado que alguém dedicou somente a ela. Pena que ela o ignora.
Amores existem aos montes. Distintos em tamanho, em qualidade e quantidade.
Pode ser do tamainho de um micuim grudento que nem pode ser visto em nossa pele. Mas sua marca e seu prurido ficam nos importunando por muito tempo.
Amor juvenil no meu entender é o mais bonito. Quando, numa volta no rela do jardim. A mocinha pudica desvia seus lindos olhinhos do sorvete de casquinha. E no sentido inverso passa aquele rapazinho sardento. Seu coleguinha de sala de aula. Por quem tem um chameguinho ainda não manifesto. Quando os dois se cruzam os dois olhinhos soltam chispas e acabam namorando sem pedir licença ao pai da criança.
Amor “pãotônico”, não platônico. É aquele amor de padaria. Quando o pretendente a ficante, ao tomar seu cafezinho na tal casa onde se faz pão. Fica embevecido pela beleza da mocinha. E, quando a garçonete da padaria traz seu pedido. O rapazola, caído de amor pela jovenzinha. Derrama a xícara de café no colo dela. E o pão aquecido na chapa esfria e acaba esfriando aquele amor “pãotônico”.
Já tive alguns amores. Poucos, nem me lembro quantos.
Amava minha mãezinha de forma diferente.
Era elazinha quem me acudia à hora do aperto.
A meu pai também dedicava outro tipo de amor.
A ele não abraçava e nosso carinho não passava além do respeito e admiração que sentia por ele.
Mais tarde aprendi a distinguir entre amor e paixão.
O amor fica. A paixão desaparece quando mais velhos ficamos. As curvas pecaminosas de nosso ex amor. Antes sinuosas e cheias de graça. Se permeiam de gordurinhas, banhas ditas celulites. Que podem dar ite aquela amada pessoinha. Mas pra modelos que desfilam em passarelas tais e quais varais onde se estendem roupas molhadas ao sol. Essa nossa antiga paixão só pode ser modelo plus size.
Estou à procura de um novo amor.
Não que tenha deixado de amar meu amor antigo.
Demo-nos um tempo depois de um tempão de casados.
Agora a tenho como uma amiga querida. Não penso me afastar tanto dela como de minha linda família.
Continuo mais receptivo, pronto a ajudar quando ela precisar.
Ontem mesmo, sabendo que ela tem pelas amoras em alto paladar.
Levei a ela uma quantidade dessas frutinhas dadas graciosamente pelos meus amigos doutor Dirceu Azevedo e sua amada esposa Terezinha. Ambos da cidade onde nasci- Boa Esperança.
Agora estou morando sozinho num apartamento mais abaixo desse aqui pertinho onde morei.
Passo sempre caminhando, madrugada adentro. Por essa linda praça ponto de encontro ao cair das tardes de mamães com seus filhinhos.
Estou caído de amores por esses meus inseparáveis computadores. Sem eles não escrevo. Não me desafogo e não tenho como desaguar toda essa inspiração que me sufoca caso não a deixe aflorar de dentro de mim.
Tenho passado nessa linda praça pertinho da velha árvore símbolo de nossa amada Lavras.
Não tenho palavras para dizer o quanto a bela Tipuana me atrai.
Não só por sua beleza. Pela idade que ela tem. Pelas histórias que ela pode contar. Inclusive a minha andando no rela desse mesmo jardim indo de encontro a esse amor que me acompanha há tantos anos.
Eureka.
Achei o amor que procurava.
Espero que meu novo amor não fique enciumado de amores que agora tenho.
Que ela permita que continue amando a vida.
Que eu caia de amores pelas pessoas mesmo que elas não me queiram bem.
Esse amor é diferente de todos experimentados antes.
Não a posso abraçar como mulheres. Nem beijar como já beijei tantas.
Nem me deitar na cama. Não para dormir o pouco sono que tenho.
Nem para me acasalar com ela.
Amar uma árvore pode parecer sandice. Uma tresloucada louquice.
Com elas não podemos fazer amor nem gerar filhos.
Apenas e tão somente plantá-las mudinhas a outras e vê-las crescerem.
Hoje, pela vez terceira passei perto da linda Tipuana.
Olhei pra ela e tirei uma fotografia entre nós dois.
Enchi-me de coragem e fiz essa declaração de amor a ela.
“Queridíssima árvore mais que centenária. Não sei se a senhora, permita-me a intimidade de chamá-la de tu ou vosmecê. Tu me tens visto quando passo aqui onde tu estás plantada há tantos anos? Tens me visto? Sabes que estou à procura de um novo amor? Não tem sido fácil achar uma que me sirva. Sou um pouquinho exigente. Quem sabe daremos certo? Somos quase da mesma idade. Não faço questão de que tu não saibas cozinhar ou passar roupa. Eu também não sei. Tu não precisas mudar para o meu apartamento já que não caberias ali. Nem precisas dormir, nem fazer sexo comigo. Se tu sentires desejo de amar outrem não se acanhe. Vai à luta! Se não me amares como eu te amo o que importa? Meu amor por ti é tão grande que vale por nós dois. Não precisas dar resposta agora. Vou continuar no rela desse jardim por mais uma hora”.
Até hoje, nesse lindo dia vinte e dois de setembro a Tipuana não me respondeu. Será que ela vai aceitar minha corte? Que ela não interprete como sendo uma cantada de mau gosto.
Uma pergunta que não sei responder deixo a vocês: “seria possível esse amor arbóreo entre eu e a Tipuana?”