Do que o Brasil precisa?

Hoje, muitos desconhecem o que neste sete de setembro celebra-se.

Diz a história, a qual versa sobre a nossa pátria amada, por muitos idolatrada, talvez pela maioria criticada, espezinhada, mal amada, que no dia sete de setembro, data da proclamação de nossa independência, no ano de um mil oitocentos e vinte dois, quando o imperador Dom Pedro o primeiro, não se sabe ao certo se por um ato de rebeldia ou bravura indômita, ou por estar de porre, exalando um bafo etílico, num rega bofe depois de uma festança no palácio, bradou: “ Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto,  diga ao povo que fico. Independência ou morte.”

Algum historiador ainda versejou sobre o mesmo tema da seguinte maneira: “embora não estivesse presente ao ato, nem havia nascido, naqueles anos passados, o imperador, dir-se-ia revoltado pela maneira com que Portugal nos tratava, sugando-nos até o nosso derradeiro tostão (não meu ídolo dos tempos que Tostão jogava no meu Cruzeirão, que, nesse sobe e desce da segunda à primeira divisão do futebol canarinho, não se sabe qual será seu destino), ainda sobre o imperador, não o tal Adriano, ídolo de má fama,  embora fosse um goleador nato, nos tempos em que jogava na bela Itália, Dom Pedro curtia uma diarreia que quase o tirava da sela do seu cavalo. Que acabou boleando, e, quase o cuspiu de onde estava assentado, meio de banda, com a barrigueira mal apertada.

Hoje, sete de setembro, feriado em toda nação brasileira, acordei à hora costumeira. Deixei meu apartamento aqui pertinho, de mansinho, para não despertar minha querida Rosa.

Estava frio. Nas ruas vazias mal se percebia a presença de nossa gente brasileira.

Na esquina do meu beco, com a Rua Misseno de Pádua, onde fica o Edifício das Clinicas, deparei-me com um sujeito trabalhador, madrugão como eu, enchendo uma velha kombi com reciclados. A ele perguntei, se por acaso não gostaria de me juntar ao monte de papelões, garrafas pets, e, depois de levar tudo aquilo, inclusive euzinho, bom velhinho, à fábrica onde se reciclam coisas, que transformam inutilidades em coisas úteis, quem sabe eu, nesta velha idade, dir-se-ia quase provecta, quem saberia dizer que eu, já reciclado, retornasse aos meu vinte anos. Ou até mesmo à infância perdida cujos anos não voltam mais.

O dono do kombi simplesmente sorriu. E tentou aliviar o peso dos meus anos dizendo, com uma gentileza infinita, que eu não parecia tão velhusco assim. Pelas rugas que eu não tinha ele me daria menos de trintanos. Pelas cãs presentes em minhas têmporas grisalhas, pela minha calva quase um campo de aviação onde não mais pousam aviões, ele me daria uns trinta. Já pela minha cara semi desperta ele ousava me dar quase um centenário.

Voltando ao título da minha crônica do dia da pátria, “do que o Brasil precisa?”

O que vocês, brasileiros e estrangeiros, o que acham que nosso país mais carece?

Na minha modesta opinião, me perdoem os do contra, o Brasil precisa, com urgente premência, é de uma reciclagem integral.

Não ser levado naquela kombi vetusta a uma fábrica que transforma lixo em coisas úteis.

E sim começar por reciclar a nossa educação. Aliás, o que sobra cá é a falta dela. A incultura e o analfabetismo grassam como ervas daninhas num jardim mal cuidado. As escolas de bom conceito faltam em cada esquina.

Por que acabamos deste jeito sem poder dar jeito ao mal ajeitado?

Primeiro, creio, na minha descrença, que Portugal, um dos nossos colonizadores principais, aqui enviou a escória dos detritos mais fétidos de sua latrina suja. Gente da prateleira de cima ele guardou para si mesmo.

Degenerados, pessoas sem compostura, larápios, gente sem formação profissional, foram os primevos a apearem das naus portuguesas.

E aqui conferiram suas nádegas nada bentas, aos nossos bancos das praças a olharem o tempo passar sem procurar trabalho. Engrossando o contingente de desocupados, os nossos indígenas que foram contaminados não pelas doenças da época e sim pela preguiça.

Precisamos sim de gente educada. Que tem o costume de ler. Não quero chegar tão longe como saber escrever corretamente. Que pelo menos não maltratem tanto a nossa língua.  Que procurem, nos dicionários o termo exato. A grafia correta. Que não troquem o ç por outro c.

Que insiram as crases no lugar exato. Não digam, como eu escutei, ao descer a rua principal, quando ainda morava no condomínio, mais ao sul de nossa Lavras querida, e que cidade maravilhosa pra se viver, quando passava por uma turminha enturmada de jovens amochilados, por ventura eles iam ou retornavam de uma escola, e um dizia ao outro: “ pronde nois vai memo”?

Eu não sabia se ia ou ficava de boca fechada ou aberta. Melhor se tivesse ficado de ouvidos tapados.

Carecemos de uma saúde decente. Como médico semi aposentado bem sei o quanto estamos navegando num mar revolto. Sem timoneiro que nos leve a um porto seguro.

O Brasil carece, com extrema premência, de gente capacitada pra nos dirigir. Menos politicagem e mais pessoas certas no lugar exato. Menos toma lá devolve pra cá. Menos troca de votos por sacos de cimento. Mais sorrisos e ações verdadeiras do que apertos de mãos, não tão sujas como de certos políticos que abrem os propinodutos e se locupletam de propinas.

A gente precisa tomar consciência da seguinte verdade. Cada povo tem o governo que merece. E que pelo voto certo talvez o nosso porvir não seja um saco de polvilho azedo.

Hoje, talvez no decorrer do dia, a gente possa ver uma parada em celebração ao dia da pátria.

Que deve ser em verdade amada. Não aquela do salve-se quem puder.

Do que o Brasil precisa? De tudo que foi escrito. E muito mais.

 

 

 

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