Ontem, na minha rocinha encantada, juntei dois novos amiguinhos. Já que aqueloutro, que os antecedeu, meu amigo pastor alemão, de nome Del Rey, foi encontrado, há tempos idos, semi enterrado num monte de bagaço de cana, restos de uma fábrica de açúcar mascavo, numa fazenda vizinha.
Desde então, por intermédio de um proprietário de uma loja de produtos agropecuários, fui informado de que havia um senhor, dono de um restaurante próximo à linda Macaia, que estava a doar um dos filhotinhos de uma ninhada de cães da raça fila brasileiro. Um deles, de pelagem rajada, ao qual apelidei-o de Clo, pensando no bom amigo Clodoaldo, que comigo estava, nesta curta viagem de Lavras, passando por Macaia, passando pela ponte sobre a represa do Funil, até chegar à minha roça, agora, depois da perda, a qual considerava irreparável, tenho pelo cãozinho Clo uma amizade, embora no começo, espero ser mais duradora do que aquela que me unia não só ao Del Rey, como aos outros cães que fizeram parte da minha história.
Neste sábado, que agora se metamorfoseou em domingo, setembro já se anuncia, com este sol maravilhoso, antes de ir à minha rocinha, na intenção de ali pernoitar, junto à minha familia, faltava minha filhota viajora, com seu marido Daniel, que foram substituídos à altura por meu filho Stenio, com minha norinha, professora da universidade que faz da minha Lavras mais importante, tudo graças ao seu bom nome, como uma das melhores não só deste país como em todas as esferas deste mundão em que vivemos, chamado planeta Terra. Meus três netinhos, peraltinhas como eu era, tanto o Theo, o Gael e o Dom, que nasceu com o dom de nos alegrar ainda mais. Junto a gente cuidava do nosso delicioso almoço a minha parceira esposa Rosa. O Clodoaldo pintor faz tudo com sua amada Amanda. Três de seus filhos que empinavam pipas. E como gostaria de que eles fossem levados ao céu com suas pipas voadoras. Pois eles três só pensavam nisso e neca de ajudar ao amigo Clodoaldo. Além de todos supra citados não poderia jamais me esquecer da Paty, enfermeira em cujas mãos limpas já passaram quase todos os recém natos de minha cidade e arrabaldes. E junto a nós todos, ainda conto nos dedos das minhas duas mãos o sempre servil e bom de garfo Binho. De nome verdadeiro Robson. E meu outro amiguinho Cauã. Menino compenetrado e prestativo, que sempre ajuda quando mais preciso. E seus sobrinhos gemelares, só diferenciados por uma pinta na face, só sua mãe, antes de se casar por mim foi apelidada de menina seriema, por motivo de suas pernas longas e esguias. Bem sabe quem é quem. Netos do amigo arrendador de minhas terras, o honesto Roberto, casado com dona Lúcia. Que além de ajudá-lo na ordenha de suas vacas ainda faz um queijo que, juntinho a uma boa goiabada, feita por mãos expertas tanto da dona Hilda, mulher do meu ex retireiro, Custódio Notícia Ruim, as boas ele sonegava. Como da dona Valda, que tem o nome de uma pastilha usada com sucesso para dor de garganta. Goiabada tendo como par um queijo de minas são chamados de Romeu e Julieta. Já estive naquela casa famosa na bela Itália. Foi quando, depois de uma passadinha rápida pela rocinha do peão que cuida de um pequeno haras, o Edinho, o qual me prometeu doar mais um filhotinho de cão. Mistura de pastor alemão com outro fila, bem brasileiro. Agora, pressinto, e quanto o desejo que tanto o cãozinho Clo, quanto o pretinho um cadinho mais velho, o qual nomeei de Robson, o mesmo nome do filho do Clodoaldo quanto o do amigo Binho, seja amigos para sempre. E tenham vida longa. Bem mais que aquela vivida pelo meu saudoso amigo Del Rey.
Esperar muito pra mim, longe de me descansar, me cansa. Sou hiperativo em todas as minhas atividades. Tanto na medicina quanto nas corridas ensandecidas que fazia dantes. Como nas minhas escrevinhanças de cada manhã.
Dias existem em que escrevo duas ou mais crônicas. Antes escrevia, neste computador que não sei como ainda não pediu arrego, como neste outro que no dia de ontem trouxe da roça na intenção de ressuscitá-lo. Pois ele empacou. Como uma mula minha que, quando olhava de banda pra carroça cheia de capim picado, antes de subir um morro empinado, relinchava e dava pra trás.
Esperar, no meu conceito, torna-se uma agonia inenarrável. Sempre chego antes da hora marcada. Não tenho a paciência de Jó, aquele personagem do livro santo, que narra as sagradas escrituras, pra mim difícil de ler. Pois, um velho amigo, entendido de Bíblia, me dizia: “você nunca vai terminar o livro interrompido.” Há tempos idos, chamado logo de início de A Casa dos Pequenos Padres. O qual comecei, quando morava ainda no bairro Centenário. Em visitas domingueiras ao Seminário local. Meu amigo velho, já falecido, um libanês espirituoso, que morou aqui defronte ao meu consultório, de nome Haddad, quando a ele contei que estava escrevendo um livro sobre os pequenos padres sorriu, e me confidenciou: “Paulo. Você jamais vai ultimar este seu livro. Por um singelo motivo. Falta-lhe fé”.
Ignoro se o seu vaticínio vai ou não se concretizar. Tenho fé sim. Soçobram dentro do meu eu o fervor em Nosso Senhor. Enxergo-o tanto no vento que assopra. Nas folhas que caem. No canto das aves. Na liberdade que todos nós sentimos quando nos vemos aprisionados.
Confesso, sem estar em algum confessionário, que a espera me cansa.
Uma inesperada e inevitável angústia se insere dentro do meu âmago atormentado.
Não sei esperar. Já disse dantes. Chego antes. Aqueles que agendam consultas corroboram meu dito. E nem careço deixar escrito. Mesmo sendo médico escritor.
Embora não saiba quando de novo irei ver tanto o cãozinho Clo, bem como o Robson, negrinho e cotozinho, brincalhão como meus netinhos, alegres quando me veem, pois ambos pensam que sou seu pai, essa amara espera me atormenta.
Me angustia tanto quanto no dia em que perdi meus pais.