Mariah

Já escrevi sobre Aninhas, aquela moça da mesa ao lado, sobre minha mãezinha amada quantas vezes me lembrei dela em minhas crônicas saudosistas. Como disse dantes não me olvido do passado, mesmo considerando o presente como uma dádivas dos céus, sem me preocupar com o que o futuro me reserva, mal penso nele, creio só refletindo sobre ele  pode atrair maus augúrios, presságios sombrios acinzentados, e como aprecio tanto a azulice do céu, o sorriso ofuscante do sol em intensidade máxima, quando aqui chego, e abro as portas do condomínio, já que amigo porteiro aqui na portaria inda não deu as caras, não me recebeu, via de sempre, com seu  cordial bom dia e um afetuoso aperto de mãos, mas sobre esta menina, com seus olhinhos perscrutadores, a mim olhou de soslaio, e, sem me conhecer foi logo exclamando, quando a ela indaguei quem seria eu, um desilustre desconhecido, naquele belo condomínio logo à entrada secundária ao portão da Ufla, à caminho da minha rocinha que tanto amo, apesar dos revezes que ela me tem feito enfrentar, a cada sábado um pepino que tento descascar, nessa idade a paciência está por um fio de luz desencapado, se toco nele logo entro em choque, fico em transe, e, voltando  a esta mesma criança, ativa, dotado de percepção apurada, embora não a conhecesse dantes imagino ser elazinha uma excelente aluna, que sempre tira notas altas especialmente na língua pátria, embora não faça feia figura nas matérias constantes em seu currículo ainda incipiente.

Mariah, meninazinha ainda na flor da idade, penso contar ela com menos de dez aninhos, mais ou menos, ou um cadinho mais, acompanhada por sua cuidadora, uma bela morena ainda jovem, sempre de olhos atentos em sua pessoinha esperta como uma borboleta que saltita de flor em flor, antes de morrer tão prematuramente, ao ver, antes de nos sermos apresentados. Fi-lo com meu celular onde abri justamente em minha Home Page- www.paulorodarte .com, aquela menina, que se apresentou com sendo nomeada Mariah, desconheço quem seriam seus pais ou se elazinha ainda teria a felidade de ter avozinhos queridos, ou se por uma desdita do destino seus avozinhos já teriam se mudado para perto do Senhor Nosso Deus maior, já que nele me posto de joelhos, embora não mais tenha o costume de ir à missa, como acontecia em tempos pretéritos, em companhia de meus saudosos progenitores, hoje apartados de mim, embora os tenha sempre em pensamentos, à hora em que acordo, e quando fecho os olhos naquele soninho curto. A cada dia e a cada manhã.

A meninazinha Mariah foi a primeira a achegar-se, à principio timidazinha, e, por fim, assim que nos vemos foi pura simpatia. Creio que de ida e volta. Como um bumerangue atirado à distância, mas ele sempre termina seu voo lépido como uma lepidóptera, em retorno meio avexado à palma sempre aberta de uma das minhas mãos.

Assim que nos apresentamos, durante a festa de três aninhos do meu querido e bikeiro aguerrido netinho Gael, velocista não tartaruguento como o seu avô, a menina Mariah, espertinha e inteligente, se disse estudar na escola chamada Gralha Azul.

Não me recordo, apesar de que minha memória ainda não claudique, não tropece, ignoro qual seria a série, que fosse do primeiro grau, ou de outros prováveis degraus que elazinha já subiu.

E a tal Mariah, inteligente e dotada de inteligência inigualável, o seu porvir ainda vai galgar degraus ainda mais altos. Antes de subir aos céus. De encontro aos meus entes queridos, entre eles incluo meus pais.

Assim que nossos olhos se entrecruzaram, na festinha do meu segundo neto, o querido e arredio Gael, ao me apresentar a menina Mariah, ela foi logo dizendo, com sua boquinha vermelha, tinta de batom da mesma cor: “o senhor é escritor”.

Naquele momento inusitado e carregado numa mistura de incredulidade e admiração, quase tremi em minhas pernas inseguras e ainda fortes o suficiente para correr distâncias que assombram carros em movimento. Pois, em tempos idos, jamais serei vencido, fui correndo lentamente de Ijaci à Ibiruturna pela estrada asfaltentas.  A carreira, de uma distância de cinquenta quilômetros, foi capitaneada por um rotariano de escol.  O chamado ou apelidado de Corguinho, não sei por qual razão.

Quando a linda menina, repito seu nome verdadeiro, desconheço-lhe o sobre, Mariah, me disse eu, Paulo Expedito Rodarte de Abreu, me parecia um escritor, passei a crer que viver de nossa arte seria possível. Apesar de tantos brasileiros nem sequer aprenderam a ler.

Escrever, editar livros impressos, tendo a modernosa internet a digladiar com a gente, que ama livros impressos, com o doce odor de tinta, cada vez mais se trata de uma aventura inenarrável.

Mesmo assim persevero. E jamais irei desistir. Tanto escrever. Quanto de publicar obras literárias. E o prazer imenso estas duas atividades me trazem.

Ao conhecer aquela linda criança, a Mariah, que logo anteviu, nas minhas feições distintas, eu mesmo não sei quem sou eu? Se um médico escritor? Ou alguém que tenha tido a ventura de se comunicar em seis idiomas? E ela logo, sem bola de crista, sem ao menos ser uma cigana que aprendeu a ler nas linhas das mãos o que nos reserva o  futuro, já que o passado ficou pra trás,  aquela linda menina, a Mariah, acabou por me confessar que ela ainda há de ser: ou uma escritora ou atriz.

E, apesar da idade que nos aparta, em muito mais de sessenta anos, temos sonhos símiles.

Eu já atuei. Não só nos palcos da vida como nas peças teatrais. Tanto no Martha Roberts, aqui pertinho, no Kemper, da mesma maneira noutro auditório, o Lane Mortom, mais abaixo. No Instituto Presbiteriano Gammon.

Queridinha garotinha Mariah. Que seus sonhos se realizem. Como ainda tento dar forma aos meus.

 

 

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