Como sou grato por tudo aquilo que conquistei…
Primeiro por ter nascido. Naquele lar abençoado, tendo como pai e mãe aquele casal tão amado.
Eles não apenas me permitiram enxergar a luz do dia. Bem como, logo ao ser expelido do útero materno, ainda incrédulo, indeciso sobre meu porvir, de repente, assim que a enfermeira me colocou nos braços de minha mãezinha, não sei se meu pai acompanhou meu nascimento, pois tudo aconteceu na vizinha Boa Esperança, por um acidente de percurso pois, pelo meu desejo gostaria de ter nascido nesta cidade onde sempre vivi, salvo em raras ocasiões da minha Lavras querida tive de me apartar, por motivos diversos, qual sejam – ir adiante na minha formação profissional, por algumas viagens em terras d’além mar, para me aperfeiçoar ainda mais na especialidade que elegi, foram idas e voltas ávido por retomar ao mesmo lugar.
Não que não aprecie viagens. Estou atravessando uma tal idade longeva, tantos anos conto de idade, que, confesso: a melhor viagem que tenho feito não é aquela quanto tomo o avião, ou o busão, e, daqui me ausento, por pouco tempo, a conhecer lugares nunca dantes vistos, e sim a cada manhã, de rotina, quando adentro ao meu consultório, acendo a lâmpada do meu aquário, espalho um cadiquinho de ração aos peixinhos, ligo os dois computadores, acendo as luzes das duas salas amplas, quando do lado de fora da minha janela o céu se mostra escuro, fecho ou abro as persianas, tudo depende do clarume do dia, passo a viajar, em ser preciso avoar, ou até mesmo tomar o ônibus na rodoviária, ou até mesmo no meu próprio automóvel, e começo a escrever. Pra mim o teclado negro do meu computador é como se fosse um avião de hélices assoprantes, ou até mesmo um planador, ou um aviãozinho de papel que aprendi a fazer quando menino, e, através da minha fértil inspiração viajo. Sem avoar ou carecer de gastar dinheiro. Vou e volto ao estrangeiro. Imagino-me em lugares nunca dantes visitados. Faço viagens idílicas. Pois me basta um computador de tela branca, com o meu teclado da cor de um urubu, e, desfrutando do velho Word, o mesmo editor de textos que sempre utilizei, me transporto. Escapo das estradas poeirentas ou lamacentas. E escrevo linhas, incontáveis delas, cada uma crônica, que seja um romance, mais as crônicas que propriamente eles, pois costumo romancear, em verdade, com minha esposa e companheira, mais uma vez não dependente de me deslocar de aqui, deste sala de onde me permito ver parte do meu passado, já que o futuro não necessito vaticinar.
Devo, meus sinceros agradecimentos, em primeiro lugar, aos meus pais que me deram a vida.
Em segundo lugar aos meus quatro avós. Por suas sábias intermediações meus pais vieram ao mundo.
Não mais irei listar, em ordem de importância, se foram uns ou outrem.
A seguir, depois do passamento, tanto dos meus pais e avós, devo gratidão à familia que constituí. Uma vez mais tarde. Depois de anos e anos de trabalho duro. Sem direito a descanso. Operando dias e noites nos três hospitais desta minha amada Lavras.
Sou profundamente agradecido a minha esposa Rosa. Que me fez presente dois filhos. E, por intermédio deles dois três netinhos nasceram: Theo, Gael e Dom.
Sou soberbamente grato tanto aos que me antecederam quanto aos meus sucessores. São eles, meus filhos, meus netos, que continuarão a minha saga. Quem sabe algum deles vai seguir os mesmos passos do avô Paulo Rodarte de Abreu, que usa o computador e a inspiração para ficar por aqui mesmo, sem precisar viajar qual seja de avião ou numa lotação apinhada de passageiros. Pois escrever me permite fazer longas viagens sem precisar me erguer desta mesma cadeira onde confiro minhas nádegas ao assento.
Agradeço ainda aos meus aparentados. Tios, tias, primos, amigos, sempre tiveram lugar cativo dentro do meu coração onde, como coração de mãe sempre cabe mais de um.
Sou-lhes eternamente grato aos amigos da roça. Pelos quais muge dentro do meu peito sonora admiração.
Tanto ao Roberto, arrendador da minha rocinha antes prejuizenta, a mesma que agora penso dar lucro. Se bem que pequenininho. Segundo ele mesmo me disse: “dando pra comer me basta”.
Sou fã de carteirinha dos seus quatro filhotes. Eles quatro são como pássaros que já aprenderam a voar pelas próprias asas.
Irei nomeá-los um a um. Lucilene, a mais experiente, linda mulher, a mãe do não menos lindo o garoto Cauã.
O Carlinho, grande partido, ainda solteiro, a espera de sua linda mulher.
Sua irmã, por mim alcunhada de Menina Seriema, quando ainda não mulher feita, com seus dois gêmeos peraltas, que só ele consegue idenficar quem é quem.
E, por último, o moicano chamado de Robson, pois poucos sabem que ele é o Binho, o faz tudo na minha linda morada, à beira do lago do Funil, que, além de cuidar das flores, aparar a grama, mantém a piscina azulzinha, faz o papel de pedreiro, em verdade ele é meia colher e melhor ainda com um garfo na boca, cuida do meu querido Clo, substituto do meu falecido amigo Del Rey, que o bom Deus o tenha acolhido no céu dos cães, a ele, e a toda sua familia, a qual tanto prezo, sou-lhes eternamente agradecido. Por tudo que tem feito por mim.
Em nome deles todos agradeço. Sem deixar de citar a ninguém, meu muito obrigado. De coração aberto. Até quando ele ainda pulsar. E, se porventura algum dia eu tiver de morrer, que seja nalgum dia, bem distante, preferiria, ainda vou levar pra onde for, a minha eterna gratidão e amor. Pois todos os supra citados, e outros deixados de lado, merecem da minha pessoa, além do meu muito obrigado, do fundo profundo de minhalma, mais uma vez, meus sinceros votos de até um dia. Quem saberia dizer quando?