Outubro foi rosa. Não se esqueça de que novembro é azul

Quase outubro falece.

Mês de muitas chuvas e de pouco movimento.

O país caminha a passos lentos. Embora a pandemia tenha arrefecido a crise aumenta em contrapartida.

Os preços andam subindo às alturas. E a grana? Mais e mais em falta.

Famílias se endividam cada vez mais. O desemprego bate-nos as portas. As oportunidades escasseiam-se mais e mais.

O que fazer durante esta pandemia? Dizem que ficar em casa é o mais recomendável. Não restam dúvidas que vacinar-se se torna uma medida sábia. Mas como ficar em isolamento, a espera de dias melhores, se o trabalho é fundamental para prover a casa. E ele, raro que se tornou, muitas vezes se encontra na rua. Ainda semidesertas nesta segunda-feira, vinte e cinco de outubro.

Outubro é chamado de rosa por ser lembrado como sendo o mês dedicado ao câncer de mama. Uma doença que se diagnosticada em tempo oportuno pode ser curada. Ao revés de quando a descoberta se torna tardia aí pouco se pode fazer para postergar a vida.

Eis que adentramos novembro. Mês que antecede o final de ano. Mais um, atravessamos um ano trágico. Oxalá seja melhor o ano que se aproxima. Seja bem vindo dois mil e vinte e dois. Nunca é demais se lembrar de uma glandulazinha marota. Que perde a função no decorrer do tempo.

Quando jovens a próstata tem função importante na fertilidade. Ela, junto às vesículas seminais, são as produtoras de enzimas essenciais à vitalidade do espermatozoide.  Aquela celulazinha veloz, que vai de encontro ao óvulo, deixando milhares pra trás, dá conta de penetrá-lo,  e ai acontece o milagre da fecundação. E em poucos meses nasce o concepto. Menino ou menina. Dois ou mais deles. Que irão dar um trabalhão aos futuros pais.

A próstata, muitas vezes ignorada, pois o homem reluta em se deixar examinar, isso deve ser feito a partir dos quarenta e cinco, ou antes caso tenha um câncer de próstata na família, cresce ou se hipertrofia, causando transtornos à micção.

Ela fica entrecortada. Jato hesitante, fino, ou, quando mais tardio, pode levar a infecção urinária ou até mesmo a retenção de urina, no final, quando se tem de esvaziar a bexiga usando uma sonda de alivio, a espera da cirurgia.

A importância do toque retal é fundamental ao diagnóstico. Ele não dura mais de um minuto. Muito menos dói ou mancha a reputação. Quem faz o toque não se lembra do dedo do urologista. Nem do tamanho ou muito menos da hora em que isso aconteceu.

Outros exames concorrem à elucidação da doença. O PSA, um exame de laboratório, ajuda na dúvida atroz que esta patologia nos traz.

Câncer o não? Doença maligna ou considerada simplesmente uma hipertrofia benigna? Isso compete ao urologista decidir. Opera-se ou não? Tudo depende da ocasião.

Se a doença pode ser tratada por medicamentos isso vai depender do momento. Existem fármacos de excelentes  resultados. Que são receitados não no balcão de farmácia e sim pelo especialista.

Caso seja indicada a  operação por que não fazê-la? Ela tanto pode ser executada pelo canal da urina ou por métodos mais antigos. A cirurgia aberta ainda tem suas indicações precisas. Essa decisão deve ser compartilhada entre o médico e o paciente.

Nunca é demais lembrar que outubro foi da cor rosa. Mas novembro, que logo chega, se tinta em azul. Um azul que tanto pode ser da cor do mar. Ou de um céu tinto de azul. Tudo depende de como encarar esta patologia,  o câncer de próstata, uma doença que, se tratada em tempo oportuno pode levar a cura. Ou se postergado o tratamento pode ser fatal.

Novembro pra mim é azul. Pra outros pode ser cinza. Tudo depende do enfoque que damos às doenças da próstata. Aquela glandulazinha que se deixar tocar no mesmo lugar onde a vergonha diz não. Já eu não me atrevo a dizer sim.

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