Por vezes tenho pensado na vida.
Ontem já passou. O agora estamos vivendo. E o que nos reserva o futuro?
“Bobagem ficar pensando.” Já dizia a minha querida avó.
Lá se foram meus vinte anos. Longe se vai a minha primeira infância.
“Ai que saudades que tenho, da aurora da minha vida. Da minha infância perdida que os anos não trazem mais”.
Assim começa o poeta. Casimiro de Abreu, não sei se ele era meu aparentado, naquela linda poesia – Meus Oito Anos.
E ele continua. Lembrando-se com certeza da sua infância: “Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais. Como são belos os dias, do despontar da existência. Respira a alma a inocência como perfumes a flor. O mar- é lago sereno. O céu um manto azulado. O mundo um sonho dourado. A vida um hino de amor. Que aurora, que sol, que vida. Que noites de melodia. Naquela doce alegria. Naquele ingênuo folgar”…
E por ai continua. Diria eu ao sabor da lua. Que não tem hora de acordar.
Quem sou eu, com a minha prosa insossa, a fazer frente ao lirismo dos seus versos? Não me atrevo a tanto. Para não despertar tantos desencantos.
Tenho pensado, cabeça cheia, a partir de quando deveríamos ser considerados velhos?
Segundo as Nações Unidas uma pessoa é considerada idosa a partir dos sessenta e cinco anos. Baseado nestes parâmetros a reportagem calcula que os chamados sêniores representam 703 milhões de indivíduos no planeta e que este número deve dobrar nos próximos trinta anos.
Continuando meu pensamento onde estarei de aqui há trinta anos? Por certo irei morar em outra morada. Onde? Talvez neste céu carrancudo que se mostra neste vinte e um de outubro. Ou noutras plagas quaisqueres.
Em absoluto não me sinto velho. Velho é aquele sapato gasto de sola furada. Ou aquele sobretudo em desuso. Carcomido pelas traças e cupins.
Deve ser taxado velho aquela idoso rabugento. Que não acha graça nas piadas. E vive encastelado na sua carantonha fechada.
Velho é aquele cão que não mais enxerga. E mesmo assim nunca abandona seu dono.
Velho é todo aquele que não mais sonha sonhos. Nunca deixei de sonhar.
Velho, ou idoso, sênior, como queiram, embora esteja naquela faixa etária, é quando a gente tenta, retenta, e não consegue namorar.
Velho, dizem, é quando a gente dorme com a avó. E vive rodeado de netinhos, que puxam a nossa barba branquinha como a de Papai Noel. Eu mesmo cuido de sempre me barbear.
A velhice é um mal sem cura. E quem disse que desejo me curar?
Em absoluto não me sinto velho. Se bem que pago meia entrada nos cinemas. Ando de busão graciosamente. E não me sinto demente. Mente sim. Aquele que diz que sou um velho gagá.
A partir de quando nos consideram velhos? A partir de qual idade deve-se considerar?
Hoje estou setenta e um. Em dezembro colho mais um ano em minha vida.
No ano que vem estabelecerei idade nova.
Quem sabe me dizer, a partir de quando serei considerado velho, então me diga.
Eu mesmo não saberei responder quando será…