Estamos às vésperas do dia sete de setembro.
Foi neste dia que o imperador Dom Pedro Primeiro, no ano de um mil oitocentos e vinte dois, às margens do riacho Ipiranga, proferiu o famoso grito do Ipiranga, decretando a emancipação brasileira do reino de Portugal. Esta data, segundo alguns autores, tem suma importância. Ela simboliza o inicio da liberdade de uma pátria. E o imperador, naquele momento de glória, de espada alçada, bradou: “independência ou morte”.
Frase que se notabilizou até os dias de hoje.
Amanhã, país afora, festas, desfiles acontecerão pelas avenidas, e muitos irão celebrar esta data como um acontecimento ímpar para o nosso amado Brasil.
Estamos em plena pandemia. Nunca o nosso povo sofreu tanto. Os preços em alta celebram a carestia. O desemprego crescente coloca famílias em desespero. E as mortes são anunciadas a cada dia.
Nunca se viu tanto sofrimento nos lares brasileiros. Nunca se observou tamanho desespero.
Tem gente que dorme ao relento. Felizmente a primavera se anuncia. A florada dos ipês está chegando ao fim.
Amanhã será outro dia? Quem sabe?
Sete de setembro é a data da nossa independência.
Estão programados atos de protesto. Pelo país afora os contra e os a favor irão se manifestar ruidosamente. Prefiro ficar do meu lado fazendo o que sempre fiz. Já que a minha opinião sobre politica ou futebol não me apraz, prefiro admirar a primavera que nasce, espalhando cores e perfumes. A espera de a chuva cair. Neste momento tão árido em todo território nacional.
Celebra-se amanhã o dia da nossa independência.
Dia sete é feriado nacional.
Aí me pergunto: celebrar o quê?
A alta nos preços? O desemprego crescente. A chuva que não cai? A escassez hídrica que faz subir o preço da energia elétrica? A situação calamitosa por que atravessa o nosso país? As famílias que sofrem tanto? Sobretudo aquelas de menor poder aquisitivo? A corrupção que não tem hora de terminar? A iminência de um golpe de estado? A confusão que ontem aconteceu no jogo entre o Brasil e Argentina? E os inúmeros incidentes que nos tem marcado nestes tempos tão confusos, quando os poderes não se entendem, e ameaça a tranquilidade do nosso povo tão sofrido, que não sabe pra onde vai, se fica ou se vai embora para um país melhor. Persiste a indecisão.
Creio que não temos motivos para celebrar. Amanhã é o dia da pátria. Feriado nacional.
Dom Pedro, de espada em punho, bravejou a nossa independência.
Já hoje, neste dia seis, de um setembro seco, recheado de conflitos, de sofrimento, só nos resta um alento.
Esperar dias melhores. Que com certeza virão.
Amanhã vai ser outro dia. E eu confio neste nosso Brasil. E esta confiança deixo como legado aos nossos netos. Que por certo terão motivos de sobra para celebrar.