Pra onde vamos?

De vez em sempre me pergunto: vamos pra onde?

Nestes tempos bicudos com certeza não iremos a lugar algum.

Quase sempre retrocedo. Volto ao passado, naqueles dias ensolarados, na minha juventude, que passou num ritmo frenético.

Quando menos se espera lá se foram os nossos vinte anos. Ao menor descuido chegamos à idade adulta. Aí as coisas mudam. Ainda não envelhecemos. Antes dos trinta consideramo-nos jovens ainda. Nesta fase da vida decidimo-nos pelo matrimônio. Aí vêm os filhos. Mais uma incumbência a tratar, as contas aumentam, a responsabilidade segue o mesmo caminho.

Temos de construir nossa casa. Já que a casa de nossos pais não cabe mais a família constituída. O trabalho duro nos espera. Temos de ganhar o suficiente para nos mantermos a salvo da miséria. Que campeia em todo território nacional.

Um dia nossos filhos crescem. Têm de estudar. E como as escolas particulares custam caro. Temos de nos esforçar cada vez mais. Muitos optam por ter apenas um filho. Em minha opinião um casalzinho é o ideal. Assim aconteceu comigo.

Não esqueço como o tempo passa. Deixamos os trintanos para adentrarmos aos quarenta. Ainda jovens o bastante para continuar o trabalho. Ainda longe da aposentadoria pensamos um dia podermos descansar. Ledo engano.

Eis que chegamos aos cinquenta. Felizmente com a saúde em dia. As doenças ainda não se aboletaram em nós. É nesta altura desta vida que pensamos em ter um plano de saúde que nos ofereça a tranquilidade de um futuro decente.

Mas, entretanto, este mesmo plano de saúde aumenta na contramão de nossos proventos. E não temos condição de pagar tanto.

Enfim a tão sonhada aposentadoria. E quem diz que podemos deixar de trabalhar?

Aí, com nossos filhos pensando em nos presentear com netos, outras dúvidas nos assaltam.

Eles, filhos jovens, desempregados, voltam a repetir o ciclo. Retornam à casa dos pais.

Ai sim, os problemas engrandecem. Nossa aposentadoria mal permite tratar da gente.  E agora, acrescida de outras bocas famintas, temos de nos desdobrar nos trinta. Apesar de os trintanos terem ficado pra trás.

Pra onde vamos. Uma vez me perguntei. Com certeza não vai ser de frente pra trás. Caminhamos céleres em direção ao futuro. O presente não mais nos satisfaz.

De nada adianta pensar demais. Viver condignamente é o que importa. A felicidade é que conta. Apesar de a realidade remar contra nós.

Nestes tempos modernos deixei os setenta de lado. Tenho três  netinhos lindos. Por certo eles saberão se comportar sem se preocuparem com o que o futuro lhes reserva.

Vou tentar ensiná-los a não se apoquentarem com o futuro.  Façam bem feito o dia de hoje. Bem sei que o passado conta. Futuro é consequência de um presente bem feito. Mas nunca esqueçam de onde vieram. Nunca se esqueçam de quem eu fui.

Pra onde vamos? Até hoje não sei.

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