Dito popular, ao qual comungo, desde quando aquela porquinha de rabo em pé, ao se deixar montar pelo porco inteiro, numa manhã de domingo, em plena primavera.
Dessa união magnifica nasceu uma ninhada de leitõezinhos, que faziam fila para mamar na mãe zelosa, como outras mães de qualquer raça ou credo, que por aí existem, desde quando o mundo é mundo, graças ao bom Deus que ocorre deste jeitinho.
Da mesma forma a égua pisca. Sinal de que ela está no cio. E aceita a monta do garanhão fascinado pelo cheiro que emerge dela. Numa atitude que parece desprovida de amor. Embora não saiba em verdade se existe amor entre animais ditos sem raciocínio. Como existe entre nós. Neste mundo cada vez mais desprovido de afeto e amor verdadeiro.
Nesta semana em curso foi decretado lockdown. Em nossa cidade não se deve abrir quase nada. Fora os ditos essenciais. Até mesmo os supermercados devem seguir as regras. Fechar as portas, só atender as entregas encomendadas.
Já questionei, de vez passada, o que seja essencial. O ar que respiramos é de fato essencial. Desfrutar a liberdade de ir e vir da mesma maneira assim considero. Amar e ser amado é fundamental. Embora nem sempre isso aconteça.
Estamos em tempos obscuros. O sol brilha tímido nesta manhã final de maio. Choveu durante a noite. Agora a chuva serenou. Como deve estar feliz meu amigo Nicolau. Com ele estive neste final de semana.
Ele tem uma rocinha vizinha a minha. Dividimos não apenas a cerca como também repartimos a nossa amizade.
De vez em quando lhe faço uma visita. Busco fogo, como ele mesmo diz.
No sábado que se perdeu na distância passei por sua morada. Era hora do café da manhã. Nicolau já estava acordado fazia tempo.
Era por volta das sete horas. Ele já havia ordenhado as vacas e pensava começar roçar a pastaria. Era uma trabalheira danada que o esperava. Que apenas iria terminar ao nascer da lua.
Passamos juntos um dedal de horas. Quase uma hora inteira já se fora.
Durante a nossa conversa amistosa palramos de quase tudo. Do preço do leite. Da florada do cafezal. Inclusive não deixamos de lado a tal pandemia.
Na roça quase não se dá importância ao que vem da cidade. Pra eles o que importa é a chuva que falta. A vaca prestes a dar cria. A roça de milho que não deu coisa que prestasse. A carestia da vida.
Passamos quase uma hora naquela prosa agradável. Antes de ir embora ainda comentei sobre o tal lockdown recém-decretado na cidade onde moro.
Tudo deveria se fechar novamente. Neste ir e vir das decisões nem sempre acertadas de quem nos dirige.
Nicolau, coçando a barba por embranquecer, deixou o paiero apagado cair da boca.
Não sem antes me dizer, olhando em direção ao chiqueiro: “aí que a porca torce o rabo. Vai ser uma quebradeira dos diabos”.
Torço para que esta pandemia não dure mais que a florada dos ipês. Senão de fato a porca vai torcer o rabo de verdade.