Como seria o paraíso?

Em criança, menino ainda, pensava, com a inocência que fazia parte de mim, como seria o outro lado da vida. Já que esta passa veloz, quando nos vemos no espelho já não temos mais vinte anos.

Ai que saudades eu tenho da minha infância perdida. Brincando naquela rua que daqui se avista. Contava com cinco anos quando pela primeira vez fui à escola.

Era uma escolinha defronte a casa dos meus pais. Ela tinha um nome simpático: Narizinho Arrebitado. Foi lá, dentro daquele mesmo hospital, onde iniciei minha vida de médico, onde tudo começou. E ainda não terminou. Espero estar longe do fim.

Quando vou ao campo santo, nome que dou onde enterram os corpos, quando eles falecem, em visita ao túmulo dos meus pais, e outros aparentados, me sinto como se a vida não fosse finita. Por que vivemos por aqui, sujeitos a toda sorte de atropelos, uns são felizes ao exagero, outros padecem de insanas enfermidades, e nos deixam saudades, e, depois que a morte chega, num instante inesperado, lágrimas rolam por nossa face, provocando sofrimento, dores e lamentos, não seria razoável que a vida deveria recomeçar em outra vida, num lugar idílico e maravilhoso, um paraíso imaginário, onde anjos tocam harpas, pássaros cantam alegremente, e todos são amigos, felizes a sua maneira.

Como seria este paraíso por mim idealizado?

Por certo nele não existiria miséria. As mesas seriam cobertas de toalhas branquinhas. Com flores a enfeitar aquele jardim magnifico, onde todos convivem na maior e mais completa harmonia, onde desavenças não existiriam, onde sorrisos encantam rostos angelicais.

Neste meu paraíso extraterrestre, o qual idealizo, fores nascem espontaneamente, sem precisar de cuidados.

No meu paraíso utópico, sonhado, não haveria distinção de cor ou credo. Todos falariam a mesma linguagem. Seriam abolidos todos os tipos de contrariedades. E seriamos felizes até o infinito, embora saiba que tudo tem seu final, menos naquele paraíso imaginário.

Naquele mesmo paraíso por mim sonhado, tenho certeza de que ele existe, em algum lugar especial, não haveriam doenças. Velhos, meninos, adultos, teriam o mesmo direito à liberdade. Não existiriam punições.  Pois pecados não existiriam.

Da mesma forma no meu paraíso não haveria mandantes ou quem os obedecessem. Não existiriam regras de convivência. Todos seriam iguais perante a lei.

Neste meu paraíso, quando olho pro alto tento vê-lo, hoje, neste dia nublado, mal se percebe a azulice do céu, com certeza devem conviver em harmonia animais irracionais com os humanos. Todos se respeitariam como se fossem da mesma raça. Comungando as mesmas crenças. Na paz infinita de que precisamos.

No meu paraíso encantado viveríamos em paz. Não haveriam crises maiores. No máximo uma rusguinha de nada. Logo logo estaríamos de acordo como se fossemos velhos amigos aqui no andar de baixo.

Se me perguntarem se acredito neste paraíso não me esquivo de responder.

É só olhar pro alto, abrir a cortina das nuvens, ver a azulice do céu, e acreditar num ente superior.

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