Tempos sombrios

Nada como dias nublados para suportar o calor do verão.

Sol a pino, calor em excesso, acaba turvando-nos a visão.

Nada como refrescar-nos em uma piscina, de águas mornas e cristalinas, depois de um dia intenso de trabalho.

Assim tenho feito. Ao cair das tardes, depois de exercitar-me na academia, naquele clube defronte a casa onde morei. É ali que tento driblar a idade. No entanto não consigo voltar à mocidade. Naqueles verdes anos da minha vida.

Depois veio o frio. Logo o outono deixa o inverno chegar. E aquela piscina não mais vai dar conta de me suportar. Pois meu corpo gasto pelos anos vai preferir um banho cálido de chuveiro, assim que chegar ao meu apartamento, onde vivo hoje, pertinho dos meus netinhos, que no momento presente estão distantes do meu abraço, já que estão em viagem, junto aos seus pais.

Hão de concordar comigo que passamos por tempos sombrios. Não pelo clarume do dia quando, mais tarde, o sol vai se abrir. Oxalá. Dias nublados, cinzentos, me fazem acabrunhar. Prefiro o brilho do sol, a claridade do dia, a azulice do céu. Não restam dúvidas que no tempo de frio alimentamo-nos melhor. O sono aparece quando menos se espera. Enrolados em grossos cobertores, depois de ler um bom livro, os olhos se fecham. Para acordarem sonolentos no dia seguinte.

Não restam dúvidas que estamos passando por tempos sombrios. Não pela cinzentice dos dias. O sol passa a iluminar a terra logo cedo. Antes do meio dia lá está ele. Sorridente, com seu sorriso amarelo. A nos encantar quase sempre neste outono seco.

Dúvidas não pairam no ar. Desemprego, corrupção em altas esferas, a crise mostra os dentes raivosos. Famílias inteiras se agasalham como podem. Uma grande parcela mal tem onde morar. E vivem ao desabrigo. Vivendo como podem. Sob as benesses do governo que distribui migalhas pelo país afora.

Hospitais quase não oferecem vagas. A tal pandemia continua a fazer vitimas. Independente de classe social.

Tempos sombrios não têm hora de terminar. Pelo noticiário só se assistem a noticias ruins. As boas são sonegadas. Talvez sem intenção. Pois parece que apenas a crise mostra a cara. A bancarrota das instituições é cada vez mais frequente. Por onde quer que se vá.

Estamos numa sexta-feira. Quase finado maio. Em poucos dias entramos junho. Dia sete seria o aniversário de minha saudosa mãe.

Estamos atravessando tempos sombrios. Pena que não seja à sombra de uma velha árvore.

A tão temida doença não tem hora de terminar. Cada vez mais pessoas perdem a vida.

O mundo inteiro ressente-se destes tempos sombrios.

E a gente, aqui no Brasil, não fugimos à regra.

Agora, inda pouco, o sol adentra pela minha janela. É preciso abaixar a persiana.

O sol se faz presente. Que, pelo menos ele consiga afastar estes tempos sombrios. E, logo logo, voltaremos a viver em paz.

Deixe uma resposta