Esta expressão, assaz conhecida, denuncia quando alguém chegou ao limite da profundidade. Quando não se consegue ver a solução. Um buraco sem fundo. Uma situação aflitiva. De onde quer sair e não consegue.
Quantas e quantas vezes nos sentimos assim. Deveras muitas. Em verdade já passamos por isso não sei quantas vezes. No entanto emergimos de cabeça erguida. Prontos para enfrentarmos as vicissitudes que a vida nos oferece. A cada minuto. A cada hora em que vivemos.
Conheço uma pessoinha querida, que quase, num momento de desespero, quando pensava que tudo estava perdido, prestes a dar cabo da vida, pensou, num átimo de segundo, no momento em que se preparava para saltar de um viaduto, veio uma mão amiga que a livrou do autoextermínio.
Ainda ontem passei por ela. Era quase noite. Uma noite fria. Estrelas fugidias iluminavam o céu.
Desiludida pelo rumo que sua vida tomava, Mariá, linda mocinha, desencantada com um amor que a deixou, em prantos, num momento de desatino desequilibrou-se, e quase ingeriu medicamentos que, se não retirados de sua boca, por certo seriam o seu atestado de óbito. Ainda jovem, com muita vida pela frente.
Salvou-a uma senhora que por sorte atravessou o seu caminho.
Mariá, com apenas vinte e cinco anos, enfermeira dedicada, operária a serviço da vida, nunca deveria pensar em tal desvario.
No entanto, naquele dia funesto, quando foi deixada à porta de casa, por um rapaz que pensava amá-la de verdade, era pura falsidade, acabou indo ao fundo do poço. Do qual mal se via a luz do dia.
Ao chegar a casa, desiludida pela existência, nunca foi sofrida como naquele dia amaldiçoado, tomou de súbito um remédio de tarja preta, que a mãe usava para dormir, abriu aquela caixinha escura, e ingeriu vários medicamentos.
Foi internada no mesmo hospital onde trabalhava. Passou dias e dias entre a vida e a morte. No sétimo dia da internação, quando tudo indicava que Mariá não conseguiria viver novamente, eis que ela acorda. Abre os olhos e vê, ao seu lado, aquela mesma mão amiga que a trouxe ao hospital, quase em óbito.
Reconheceu-a prontamente. Não havia palavras para agradecer. Aquele gesto de carinho e solidariedade, pura bondade, própria das pessoas que vivem para salvar a outrem.
Desde então Mariá repensou a vida que tinha levado. Era jovem, com um longo caminho a seguir.
A enfermagem sempre foi o seu sonho. Por que razão um desencanto de amor a teria levado a tal ato insano?
Assim acontece com a gente. Por que pensar em dar um fim à vida. Se ela deve ser vivida em plena intensidade, mesmo que as dificuldades possam se interpor entre nós e a felicidade.
Muitas vezes chegamos ao fundo do poço. Mas, se olharmos pra cima, num dia lindo como o de hoje, e olharmos pro céu, naquela azulice de fazer cegar os olhos, não existe razão nenhuma para morrer. Devemos sobreviver custe o que custar.
Morrer em verdade é inevitável. Na hora certa. Antes, nem pensar.