Hoje, final de abril, acordei com uma dúvida a me atazanar o cérebro.
Até quando iremos persistir nesta indefinição que nos faz pensar que o mundo vai acabar num futuro breve.
Seria no mês vindouro. Num segundo semestre que se aproxima? Ao final do ano com certeza. De jeito que as coisas andam, cada vez piores, não tenham dúvidas. O mundo está prestes a terminar.
Só se assistem a notícias ruins. Roubos, assaltos, violência desmedida, falta de leitos em hospitais, a crise que se arrasta sem ter fim. Famílias passando necessidades. Mortes, corrupção de alto a baixo, o mundo inteiro atravessa uma crise sem precedentes.
Foi com estes pensamentos que acordei neste dia trinta de abril.
Ainda não faz frio. Estamos em pleno outono. O inverno se avizinha. Dizem que o tal vírus prefere temperaturas mais frias.
O que vai acontecer quando o inverno chegar? Será que a pandemia vai se alastrar mais ainda? Ou, quiçá, tomara, oxalá, descobriremos uma vacina mágica. Que não só vai prevenir a tal enfermidade como irá por fim a maldade que impera mundo afora. São estes os meus desiderios. Que eles se concretizem.
Nem sempre o que penso se aproxima da realidade. Bem sei que me encontro um tanto quanto pessimista quanto aos destinos do mundo. Só consigo ver gente morrendo. Pessoas sofrendo na pele todas as sortes de contratempos.
Fábricas fechando as portas. O desemprego crescendo. Jovens, seniores, crianças, sem a menor perspectiva de felicidade. Parece que ela anda escondida onde não se encontra. E nós, desarvorados, tentamos debalde achar a luz no fim do túnel. No entando ela continua apagada.
Nem sempre depois da tempestade o sol brilha. Nem sempre percebo a luz iluminando a escuridão.
Acordei, neste final de mês, com uma estranha sensação de amargura. Nem sempre acontece assim comigo. Via de regra sou otimista por vocação.
No entanto, assistindo as noticias pela televisão, acabo por me transportar ao final dos tempos. Que saudade dos dias de outrora. Quando tudo corria bem. Sem esta doença que tem feito vítimas mundo afora. Quando os salários eram suficientes para trazer não apenas o que precisávamos. Encontrávamos nossos filhos felizes. Não trancafiados em casa. Com medo de se darem as mãos.
Nem sempre foi assim. Tomara que esta triste realidade dentro em breve se transforme.
Que possamos ir e vir de cara limpa. Caminharmos pelas ruas sem temer mal algum.
Já que não posso prever o futuro, já que não posso viver no passado, que pelo menos possa imaginar um porvir mais alvissareiro.
É isso mesmo que desejo a todos vocês. Amigos, desconhecidos, simpatizantes, desafetos.
Nem sempre foi assim. Que esta triste realidade em breve, muito breve, se desfaça como a nuvem que se transformou em fumaça. E traga aquele solzinho tímido de volta junto a mim.