Hoje acordou desse jeitinho.
Mal se enxerga além da linha do horizonte.
Custei a sair da cama. Lá fora uma névoa densa se formava.
O sol, dorminhoco, deve estar lá encima enrolado num cachecol de nuvens densas. Mal se deixa ver. O azul do céu fica escondido debaixo do mesmo cenário. Quase não se pode ver o casario baixo. Tudo fica cinzento. Neste quase final do mês de abril.
A serra, a rua onde cresci, a casa onde viveram meus pais, nada se deixa ver. As ruas ainda vazias prenunciam um dia pouco movimentado. Depois de um feriado, o qual corta a semana ao meio, faz-nos ver um final de semana antecipado. Logo chega mais uma sexta-feira. Sextou! Comemoram os bebedores de cerveja. Embora aprecie um bom vinho nestes dias frios.
No sábado passado fui ter a minha roça. Como de costume.
Ainda fazia calor. Mesmo assim não tive coragem de mergulhar nas águas azuis da piscina recém-construída. Deixo para outro dia. Quando o sol esquentar mais um cadiquinho.
Ali encontrei um velho amigo. Há tempos não o visitava. Pela boca dos outros sabia que ele não estava bem de saúde.
Uma tremura incômoda fazia suas mãos tremerem. Fato que o impedia de tirar leite. Coisa a que estava acostumado desde quando o conheci.
Geraldo, da dona Nega, uma mulher de peso, guerreira, hábil costureira, sempre que por ali aparecia me brindava com quitutes feitos na hora. E que broa de milho ela fazia. Quantas e quantas vezes tive a felicidade de almoçar junto deles. Naquele fogãozinho a lenha que vomitava fumaça pela chaminé sem nos incomodar as narinas.
Geraldo foi quem me ensinou quase tudo que aprendi na atividade leiteira. Hoje desaprendi quase tudo. E nem mais sei o porquê de o leite ser branco mesmo saindo de uma vaca preta.
Há quase cinco longos anos não via o amigo Geraldo. Cara fechada. Riso contido. De poucos amigos. Mas, quem o conhecia, de verdade, bem sabia do seu coração amanteigado. Que se derrete todo quando a hora convida.
Naquela manhã de sábado fazia calor. O sol já desperto punha sua carinha de fora.
Não como na manhã de hoje. Uma cerração baixa. Céu acinzentado. Acredito que no decorrer do dia vai esquentar mais um pouco.
Naquela manhã de sábado, quando em visita ao amigo Geraldo, falamos de tudo um pouco. A tal pandemia não ficou de fora. A crise não foi deixada de lado. A atividade leiteira foi outro assunto que foi discutido. As chuvas rarefeitas, naquele momento, era outra preocupação que nos atazanava.
Hoje amanheceu com uma névoa densa que encobria quase tudo. Menos a falta de caráter de certos políticos.
Foi nesta manhã, que hoje se descortina, fresca, sol tímido, nuvens cinzentas, que me lembrei de um dito do amigo Geraldo: “não se avexe. Depois de uma cerração como esta o sol racha”.
Espero pra ver o sol nascer. Da mesma maneira que aguardo esta pandemia terminar de vez.