Quantas indefinições me afligem. Quantas dúvidas me assaltam.
Incontáveis perguntas ficam sem resposta.
Uma vez criança, estudante de primeiras letras, quando a professora lançava no ar uma pergunta, eu era o primeiro a levantar a mão. Pensava ser o sabichão.
E respondia por vezes errado. Mas fazia questão de tentar resolver o imbróglio. Logo eu, que na aritmética nada sabia. Mas no português era mestre em escrever palavras. De quando em quando trocava o r por outra letrinha. Que não fazia falta no contexto da frase por inteiro.
Depois cresci. Não tanto. Diga-se de passagem.
E continuei vida afora a tentar dirimir senões. Foram meras tentativas.
Até hoje quantas vezes digo que não sei. Embora talvez saiba as respostas. Muitas delas recorro ao dicionário. Quando meus netinhos perguntam o porquê de a galinha ser preta e o ovo sair branquinho como neve no inverno que a gente mal conhece.
Ah!, se eu soubesse quando a felicidade tomaria lugar da tristeza, não esconderia a resposta. Logo procuraria responder, com ares de quem entende, procure-a nos lugares mais singelos. É onde ela se esconde. Basta procurá-la de coração aberto.
Ah!, se eu soubesse até onde vai a minha vida. Até quando iria continuar a viver.
Confesso que sonegaria a resposta. Não sei e nem desejo saber.
Se eu soubesse até quando essa pandemia iria perdurar, de pronto responderia que não sei. Só sei que desejo, de coração a larga, que ela termine tão logo o sol se põe. Já que hoje o mesmo sol vai dormir logo à noite. Neste outono que recém começou.
Ah!, se eu soubesse até quando a fome vai perdurar. A crise vai terminar. A miséria não mais vai se alastrar. Logo daria a reposta. Em muito breve. Gostaria de responder.
Se eu soubesse, e tivesse uma bola de cristal, e alguém me perguntasse até quando este estado de coisa irá persistir, responderia mais um não sei. Apesar de querer saber responder a tantas perguntas que me são feitas.
Se eu soubesse, até quando o sol vai iluminar a terra, a chuva vai cair, deixaria estas respostas sem solução. O melhor é continuar vivendo na indefinição. Dúvidas fazem parte da vida. Melhor dirimi-las com o tempo. Deixe o tempo acomodar. As respostas um dia virão.
Um dia pensei. Se eu soubesse, que dia irei encontrar com meus pais.
Naquele lugar encantado. Onde anjos avoam ao lado de Deus Pai, confesso, que aí sim, gostaria de saber a resposta.
E, se eu pudesse, adivinhar a resposta, com que alegria a encontraria.
Ai que saudades eles me trazem. Nesta aurora da minha vida.
Ah!, se eu soubesse tantas coisas, grande parte delas preferia ficar no olvido.
Coisas ruins eu não diria. As boas logo alardearia.