Quem sabe quando?

Nunca fui bom em jogo de adivinhações.

Principalmente em tempos antigos.

Quando tentava descobrir onde estava aquele amiguinho, brincando de esconder, procurava, de olhos abertos, na escuridão da minha casa, e nem desconfiava que o danadinho estivesse a um palmo de minha mão.

E, daquele encontro fortuito nasciam outras amizades. Eu era pródigo em fazer amigos.

Com o tempo passando, com a idade avançando, acabei deixando de lado as velhas amizades.

Acontece que muitos amigos de infância acabaram avoando pra longe dos meus olhos.

Ainda hoje, velho ainda não me considero, acabei brincando de pique esconde com outros meninos. São meus netos que me fazem de tonto. E eles correm tanto que não consigo acompanhar-lhes os passinhos.

Quase sempre me indago: por onde anda aquele menino? Aquele que brincava de esconder com seus amiguinhos? Ele se transformou, com o furor do tempo, naquilo que sou hoje. Um quase idoso que se considera uma criança.

Quem sabe até quando continuarei a viver nesta vida por vezes tão complicada? Por vezes a acho enfadonha. Difícil de suportar.

No entanto, na maior parte das vezes, quando acordo, bem cedo, e abro os olhos sonolentos, e vejo o azul do céu, nem penso quantas vezes a vida vai me levando, pra frente, sem me desprender da saudade que o passado me traz.

Até quando vamos suportar este momento complicado. Por vezes me pergunto: até quando?

A vida corre célere. Quando menos percebemos não mais temos vinte anos. Quando damos pela coisa a idade nos cavalga às costas. E a nossa resistência capenga. A saúde um dia nos abandona. E a morte, inexorável verdade, aparece quando menos se espera.

Até quando iremos conviver com esta dura realidade? Hospitais lotados. Gente passando fome.

Parece uma praga dos tempos modernos. Bem pior do que a peste. Que dizimou vitimas mundo inteiro.

Até quando iremos resistir a esta doença maldita? Parece não ter fim a tal pandemia.

Pela mídia só assistimos a noticias ruins. Parece que deixaram as melhores ao esquecimento.

Até quando iremos suportar este isolamento. Faz-me falta o convívio afável com as pessoas.

Até quando vamos tolerar esta malfadada sina. A vida nos ensina que devemos ter paciência.

Confesso que a minha está agonizando. Até quando vou conviver com estes dados de mortes que aumentam a cada dia?

Se eu soubesse a resposta a responderia.

Pena que nunca fui bom em jogo de adivinhações.

Confesso um nostalgia imensa. Dentro de mim brota uma indefinição irrespondível.

Até quando? Tomara seja em breve.

Esta resposta deixo ao futuro. Já que não podemos predizê-lo, que tal vivermos bem o dia de agora?

 

 

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