O sol brilha forte neste dezesseis de março. Foi impossível ficar na cama além das seis e pouco. Já estava acordado antes das cinco da manhã. Tentei retomar o sono, mas foi impossível.
Abri a janela do meu quarto. O azul do céu se mostrava na sua plenitude máxima. Um ventinho maroto adentrou-se pelas minhas narinas.
Impossível continuar na cama numa manhã como esta.
Lavei o rosto. Penteei o que resta dos meus cabelos. E, deixei o apartamento precisamente às seis e meia.
As ruas já estavam ruidosas. Ônibus, carros em movimentos, madrugões, como eu, já desciam a rua, em busca do seu ganha pão.
Pertinho de mim o velho hospital já estava de portas abertas. A velha Santa Casa não tem direito a descanso. Neste momento trágico pacientes esperam atendimento. Leitos lotados. Unidades de tratamento intensivo oferecem poucas vagas. Não sei até quando. Tomara que seja breve.
Lá fora o sol brilha forte. A azulice do céu predomina. Parece que as chuvas serenaram. Para voltarem noutro dia.
Mais um lindo dia que nasce. Mais uma manhã radiante que se anuncia.
Contrariando as expectativas, neste quase final de marco, como pensar noutra coisa?
No entanto, nestes tempos de pandemia, mortes acontecendo, a crise se instalando, cifras alarmantes de famílias inteiras passando por necessidades, como poder admirar a beleza desta manhã que desponta?
Bem sei que o momento requer cuidados. Ficamos em casa ou saímos em direção ao trabalho? As escolas devem permanecer fechadas? Ou as crianças vão perder mais um ano em sua formação? São dúvidas que nos assaltam. Questões a serem discutidas.
Nesta manhã tão linda do mês de marco impossível pensar em outra coisa senão alegria.
Mas sei que a tristeza impera em muitos lares. Neles falta tudo. Pais sem poder oferecer aos filhos um cadinho mais do que eles precisam. Sei que o emprego falta. A renda cai. A crise se manifesta em cada esquina.
Numa manhã tão linda como a de hoje me foi impossível ficar na cama. Com este sol, com esta luminosidade que quase me faz cegar os olhos, permanecer em casa é missão quase impossível.
Prefiro correr o risco de me contaminar. A permanecer horas e horas recostado ao travesseiro, assistindo às baboseiras pela televisão, apenas noticias ruins, mortes, desemprego, violência, assaltos e coisas desse tipo.
Numa manhã tão linda como esta, ainda verão, não consigo permanecer em casa. Isolo-me aqui mesmo. Tendo como cenário esta paisagem tão linda. Contento-me em ficar junto aos meus peixinho aquarianos. A espera de tempos melhores. Que um dia virão. Com certeza.
Agora são sete horas da manhã. O sol inunda a minha sala. A azulice do céu predomina.
Como pensar em outra coisa. Se o dia que amanhece nos oferece tanta coisa boa a pensar.
Que tal deixarmos os maus pensamentos pra depois.
Amanhã, com certeza, há de ser outro dia.