Estou cansado de tanto falar em mortes.
Exausto do mesmo assunto.
A tal doença não para de crescer. Esta pandemia parece que não tem hora de terminar.
Hospitais lotados. Famílias enlutadas. A crise que se manifesta em cada esquina. Gente desempregada. Mendigando as sobras. Lojas que se fecham a cada hora. Ruas semidesertas.
Felizmente as aulas voltaram. Em boa hora. Bom que se diga.
Na minha modesta opinião todos os setores da economia deveriam retornar ao que era dantes.
No entanto parece, no andar da carruagem, não vai ser tão cedo. Como desejaria.
Não se fala noutro assunto. Quando o noticiário se repete desligo da televisão. Da mesma maneira quando entra no ar o tal programa, aquele, qual uma vitrina das loucas, da mesma maneira uso o controle remoto. Melhor assistir a um filme, seja de ação, ou contravenção, melhor que aquilo, não tenham dúvidas. Até mesmo uma novela, que seja repetida, é preferível a ver aquilo, onde pessoas, as mais esquisitas, se permitem devassar a sua intimidade, naquela casa onde aquela emissora de Tv pensa que todo mundo é idiota. Salvo equivoco meu.
Não preciso declinar o nome do tal programa televisivo. Vocês sabem de cor e salteado.
Confesso estar cansado de tanto falar na pandemia. Parece que as outras doenças deixaram de existir.
Mister se faz mudar de assunto. Que tal falar de poesia? Ou de trovas? Ou de amenidades?
Que tal contar causos da roça? Falar de outro assunto? Comentar sobre saudades.
Confesso que ando exausto de ouvir falar da mesma cantilena. De nada adianta desligar a televisão. Pelas redes sociais o tema se repete. Mortes, doença, sofrimento.
Tento mudar a prosa e não me ouvem. Ouvidos moucos não escutam o que tento dizer.
Cansei de ouvir falar nesta enfermidade. Ela não me inspira coisa boa.
Podem dizer que eu seja omisso. A tal virose está ai pra quem quiser ver.
Mas, tentando desviar a prosa, ontem mesmo vi, com estes olhos inquiridores, uma linda azaleia se abrir em flor.
Parei um cadiquinho pertinho dela. Ela sorriu pra mim.
E, se não me falha a memória, podem pensar que seja mais um devaneio meu, a linda azaleia disse, entre suas flores multicores, um tanto encabulada pela minha intromissão: “o senhor, sempre que passa por aqui, nunca reparou em minha pessoinha. Por que será”?
Parei um cadinho perto dela. Acarinhei suas flores docemente. E reparei, naquele exato momento, o quanto são lindas as flores. Muito mais do que as doenças que infelizmente fazem vitimas entre nós. Nestes tempos difíceis por que estamos atravessando.
Estou cansado de tanto ouvir falar em doenças. É bem melhor falar de flores.