Datas existem para serem lembradas.
E quantas delas nos são recordadas, se bem que algumas são esquecidas, não por falha nossa.
Afinal são tantas que nem sei quantas.
Os dias se sucedem no calendário. E como o tempo passa veloz.
Quando acordamos não temos mais vinte anos. Ao melhor descuido, sem sequer pudermos fazer nada para deter a marcha do tempo a morte chega. Num átimo de segundos. Numa curva do caminho. Num instante que felizmente ignoramos.
E, por falar em morte, como ela tem ocupado as noticias dos jornais. Não se fala noutra coisa. Óbitos, sofrimento, lamentos, esta tal pandemia parece não ter fim.
A cada dia que passa mais pessoas deixam de viver. Estatísticas sombrias não nos deixam esquecer da tal enfermidade nefasta. Que dizem ter começado na China. Mas quem nos garante que foi lá, em verdade, o seu começo?
Acordamos neste dia cinzento. Março caminha apressado. Mal se escutam seus passos.
E como me lembro dela.
Naquela fotografia, em preto e branco, ela aparece. Vestida de noiva. Ao lado de uma janela.
Naqueles idos anos eu não existia. Ainda não havia nascido. Era um esboço ainda do que iria ser.
Minha querida mãe partiu há anos atrás. Deixando no seu rastro um caminho de luz.
A ela, e a tantas outas, mulheres, guerreiras, donas de casas, operárias, profissionais liberais, enfermeiras, mestras, são simplesmente mulheres.
O que seria da gente sem as suas presenças? Nem teríamos nascido. Seriamos simplesmente projetos inconsequentes da nossa pequenez.
Nesta data, oito de março, deste mês chuviscoso, úmido e cinzento, celebra-se o dia das mulheres.
Dizem que elas são o sexo frágil. Ledo engano.
Quem somos nós para suportarmos as dores do parto?
Quem seríamos nós para suportarmos a dura lida diária? Elas sabem cozer como ninguém.
Habilidosas e articuladas senhoras. Seja em que idade for elas caminham a nossa frente. Fazem quase tudo. Ainda melhor que a gente.
Dizem que elas não tem a nossa força. Mais um deplorável equivoco.
Em minha casa a última palavra não sai de minha boca. Posso até tentar. No entanto é a minha Rosa quem decide entre o certo e o errado. Eu simplesmente assino os cheques. E é ela quem paga as minhas contas. Faço de conta que sou o chefe da casa. Mas é ela que manda de verdade.
Neste dia oito de março, que começou cinzento, mas deve clarear no decorrer do dia, a elas todas os meus sinceros agradecimentos. Tudo começou com minha saudosa mãe. E vai acabar por intercessão delas. Sem elas nada somos. Apenas um arremedo de gente.
Não tenho palavras para exaltá-las como merecem. Elas tem a grandeza de uma árvore frondosa. A majestade de uma rainha. São o retrato do amor. Não se pode mesurar a importância de uma mãe.
A minha mãe, a outras mulheres, aqui personificada nesta fotografia, que retrato neste dia oito de março, o meu saudoso abraço. Se existe um dia mais importante, no calendário de todos os dias, este é especial. Recebem todas, estas apressadas linhas, como sinal do meu apreço, do meu respeito, da minha consideração, ninguém melhor do que vocês, mulheres, para serem lembradas neste e em outros dias.