Embora quase sempre persiga os sonhos não consigo me afastar da realidade.
E ela tem sido amarga, sofrida, angustiante.
Felizmente a nossa cidade não está à mercê de tantas calamidades.
O que se vê pela mídia são assuntos quase sempre fatídicos. Mortes, chuva em demasia, enchentes que deixam famílias inteiras ao desabrigo, hospitais lotados, a tal doença da moda parece não ter fim.
Ontem mesmo assisti, o assunto se repete, por um programa sensacionalista, um apresentador mostrar uma cidade de São Paulo, a progressista Araraquara, ter as suas ruas esvaziadas, o comércio de portas fechadas, cidadãos feitos prisioneiros nas próprias casas, por causa assaz conhecida de todos nós.
Assim tem caminhado a humanidade. Desumano imaginar pessoas desempregadas, preços em elevação, a crise continuar, crianças trancafiadas como prisioneiras sem terem cometido crime algum, escolas vazias, sem oportunidade de continuar os estudos, um ano inteiro perdido, até quando?
Trata-se de uma pergunta ainda sem resposta.
Estamos vivendo uma triste realidade. Infelizmente desta vez é pura verdade. Não uma Fake News inverídica. Inventado por bocas falastrães. Que só desejam assistir de camarote o circo pegar fogo.
Por onde andam os sorrisos. Os abraços. Os congraçamentos? As visitas tão importantes ao convívio social. Onde se escondem os rostos mascarados. Por detrás de máscaras que se tornaram moda. Não aquela máscara negra de um carnaval que se foi…
Trata-se, em verdade, de uma triste realidade. O fato de não podermos caminhar pelas ruas. Livres como pássaros. Agora, pelos passeios semi- vazios, pessoas evitam aquele contato fraternal. Parece que elas temem algo invisível. O tal vírus que ameaça o mundo inteiro. Sem poupar ninguém. Desrespeitando a individualidade de cada um.
Estamos à mercê de uma triste e insofismável verdade. Não sabemos até quando iremos voltar ao normal.
O mês de março se avizinha. As vacinas estão chegando. Pouco a pouco. De mansinho.
As escolas têm hora de recomeçar. Que bom seria.
Seria mais uma feliz realidade podermos voltar aos tempos de dantes.
O comércio de portas abertas. Sem o temor de nos contaminarmos. Com as ruas lotadas de gente mostrando a verdadeira identidade. Que bom seria assistir crianças amochiladas. Em busca de um futuro promissor.
Que bom seria retornar aos velhos tempos. Com os preços condizentes as nossas posses. Com a vida retomando seu ritmo normal.
Hoje estamos vivendo uma triste realidade.
Que ela se torne cada vez mais irreal. Nestes dias duros, tempestuosos, amaros, difíceis de suportar.
Hoje mesmo acordei com o sol brilhando por fora da minha janela. Um lindo dia se faz.
Tenho certeza, creio piamente, que esta triste realidade vai passar. Não num átimo. Numa fração de segundos. Um dia. Quando? Em breve. Não importa. O que conta é que tudo isso vai passar. Como um passarinho aprendendo a voar.