Nem parece carnaval.
Ruas vazias, pessoas dentro de casa, nem feriado é considerado esta semana que tem começo.
Nem mesmo serpentinas enfeitam as avenidas. Palhaços de caras desnudas, nem ostentam sorrisos. Falta o alarido das marchinhas de carnaval.
As máscaras que se veem agora são diferentes. Encobrem parte do rosto. E devem ser usadas obrigatoriamente, nestes tempos de pandemia.
Pra onde foi a Colombina? Ela, pobrezinha, deve estar escondida numa casinha modesta. Com medo de sair de casa.
O céu se mostra cinzento. Escuro, carrancudo, deve chover ao cair da tarde.
O confinamento é recomendado. Não se podem ver pessoas alegres brincando abraçadas.
Pra onde foi a alegria de tempos passados? Onde estaria o palhaço das perdidas ilusões?
Decerto ele está desempregado. A espera de uma vaga que nunca vem.
Que saudade dos velhos carnavais. Da inocente mocinha casadoira que esperava o pretendente nos bailes de salão. Que saudade do beijinho doce. Aquele que foi ela quem trouxe, avexada de seu comportamento atrevido.
Quantas saudades daquela escola de samba. Que trazia no seu séquito fantasias maravilhosas.
Ai que saudade daquela menina de perninhas grossas. Hoje ela está desiludida, acamada, dentro de casa, temerosa de ser contaminada, por esta doença que parece não ter fim.
Pra onde foi aquele menino artioso, que fugia da vigilância dos pais, fugindo pra rua, na intenção de se juntar aquele bloquinho maroto, que não existe mais.
Ai que nostalgia me traz aquela fantasia toda feita em lantejoulas brilhantes, depois de tanto esforço daquela senhora animada, aquela mesma que amava o carnaval.
Agora, olhando pelas ruas, nada mais vejo senão um paradeiro enorme. Nem feriado os foliões têm a folgar.
O céu está cinzento. Da mesma maneira acinzenta-se minhalma.
Atravessamos por tempos difíceis. Onde falta inclusive a alegria.
Sonegam-se abraços. Desestreitam-se laços de amizade genuína. Pessoas se evitam. Famílias inteiras se fecham.
Hoje acordei a mesma hora de sempre. O prédio está vazio. Nem o porteiro folgazão me saudou com o mesmo sorriso de sempre.
Nesta segunda-feira parece que o carnaval se faz ausente.
Pra onde foi a alegria dos tempos pretéritos? Tudo parece entregue a tristeza. A melancolia. Falta-nos alguma coisa.
O mundo inteiro ressente-se da falta de graça.
Estamos a mercê da pandemia. Que venham as vacinas para de novo podermos celebrar a alegria. Deixando a tristeza de lado.
Por onde anda o sorriso? Com certeza recoberto por alguma máscara…