Que saudade dos velhos carnavais.
Quando o Pierrô tentava afagar os cabelos da linda Colombina.
Se ele tentasse beijá-la agora, ela nem o levava a mal. Pois naqueles tempos idos já era carnaval.
E aquela máscara negra? Não mais mostra alegria. Apenas esconde o rosto, nestes tempos de pandemia.
Foi naquele carnaval que passou que eu a conheci. E como passam os anos. Puro frenesi.
Que saudades dos bailes bem comportados. Onde se jogava serpentina. Confetes eram espalhados pelo salão. E, aquela menina de sorriso brejeiro lançava em minha direção olhares de pura simpatia. E quase não existia maldade. Pois as moçoilas casadoiras eram castas. Casavam-se virginais. E esperavam de saias rodadas na sala de visita, o aceite dos pais.
Já hoje, tempos idos, nem carnaval vai existir mais. E a data está próxima. Pertinho da gente.
Dizem, as autoridades, que nem feriado vai ter mais.
Tudo isso foi relegado a segundo plano. Mais um desengano. Dos tantos por que estamos passando.
E pra onde foi a alegria? A empatia? Os abraços apertados, os suspiros bem dados. E o amor sem fim…
Estamos passando por tempos difíceis. Dizem que a tal vacina vai ser o começo de um novo tempo. Oxalá seja em verdade o fim dos contratempos por que estamos passando.
Ainda não vai ser desta vez que teremos carnaval.
Entretanto, nestes tempos modernos ele perdeu o encanto. Deixou de ser aquele velho carnaval das escolas de samba. Desfilando na avenida. Onde os carros alegóricos perderam as alegorias. Onde mocinhas semi-desnudas eram respeitadas. E não se usavam drogas para animar os foliões.
Ainda não vai ser desta vez que teremos carnaval.
Que ele volte algum dia. Sem a ostentação que nos ofende a dignidade. Onde as marchinhas eram entoadas por vozes inocentes. Sem os pancadões que varam a noite entrando pelas madrugadas.
Ainda não vai ser desta vez que vamos ter carnaval.
E, se um dia ele voltar, que ocupe o seu lugar. E volte a nos encantar com a mesma máscara negra. Com os confetes e serpentinas. Com os pierrôs e colombinas, distribuindo sorrisos pelos salões.
Ainda não vai ser desta vez que o carnaval terá a sua vez.
Bem sei que tudo vai passar.
Mas, no dia em que ele voltar, que seja como nos velhos tempos.
Não uma festa para turista vez. Onde o rei momo impere com sua coroa e simpatia genuína. Com sua obesidade fofa.
Ainda não vai ser desta vez que o carnaval vai celebrar a alegria.
E, no dia quando ele voltar, que seja como nos velhos tempos.
Que, infelizmente, não voltam mais…