Não vejo a hora, conto os minutos

Olhar as horas é um hábito que cultivo todos os dias ao acordar.

Quando o celular indica antes das seis, tento dormir novamente. Mas, no entanto, quem diz que consigo. A cama me cospe. Lavo o rosto num átimo. Escovo meus dentes. Molho o cabelo na intenção de penteá-lo.

Visto a roupa adormecida no cabide. E saio às ruas a hora de sempre. Maldita pontualidade!

Assim tenho feito desde quando a idade me cavalga as costas. Acredito que este costume foi adquirido desde quando passei da melhor idade.

E qual seria a melhor idade? Não tenho dúvidas. É aquela em que encontro. Depois dos sessenta. Faz exatamente dez anos que dobrei a serra da felicidade.

A velhice, desde que seja consciente, plena de saúde, é, por certo, a melhor idade. Nela nos encontramos realmente. Nada contra a juventude. Embora quando jovens muitas dúvidas nos assaltam. Que caminho iremos seguir? O que estaria reservado a nós? Seremos felizes? Ou, em contrapartida, a tristeza nos espera, numa curva do caminho, numa encruzilhada perigosa.

Hoje acordei pensando. Pensamentos vagueavam no meu íntimo.

Ao olhar as horas, ver os ponteiros do relógio avançarem rapidamente, neste dia lindo, fresco, deve esquentar no decorrer do dia, não vi a hora de deixar o apartamento.

Aqui estou. A espera do primeiro paciente. Confesso certa ansiedade. Uma impaciência me importuna.

Lá fora da minha janela o sol ameaça acordar. Nenhum indício de chuva. Parece.

Estamos na véspera das eleições. O brasileiro vai decidir, no próximo domingo, quinze de novembro, em quem vai votar.

Não vejo a hora da boca da urna se fechar. Não que ela fale demais. Mas, confesso certo incômodo com tanta gente pleiteando nosso voto. Dizem que brasileiro não sabe votar. Que troca o voto por um saco de cimento. Por duas galinhas em final de carreira. Ou um burro magro, quase aposentado.

Não vejo a hora de a tal corrida eleitoral terminar. Que vença o melhor candidato. Que o país retome seu rumo. Que a vida siga sua marcha em direção há dias melhores. Que a crise nos deixe respirar.

Não vejo a hora de a tal pandemia passar. Que a saúde vença as doenças. Que a sanidade deixe a louquice de lado. Que a gente possa ser feliz. Como éramos nos tempos idos.

Não vejo a hora de chegar a segunda- feira. Basta de besteiras! Chega de lixo eleitoral entulhando as nossa caixas de correio. Que bom dar um basta nas campanhas com tantas falácias improdutivas.

Não vejo a hora de o pais voltar a normalidade. De enterrar este ano fatídico. Que nasça um novo ano bem melhor.

Não vejo a hora de tudo terminar. De as escolas receberem seus alunos de portas abertas. De poder voltar a abraçar.

Não vejo a hora. Agora são sete da manhã. Voltei a olhar no relógio. Acredito que ele sorriu para mim.

E como as horas passam depressa. Não vejo a hora de retomarmos a paz que tanto precisamos.

Tenham todos um bom dia. Com a certeza, de que na segunda-feira, tudo vai terminar…

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