Voto consciente

“Em quem eu voto, nem às paredes confesso.”

Talvez seja a atitude mais prudente, face aos resultados das eleições.

Amanhã, vai ser outro dia. E, quem sabe o que se avizinha?

Se o candidato da sua escolha não for o eleito, no próximo ano você pode dar com os burros n’água. Mesmo se as águas não rolarem. E a enchente não desabrigá-lo de sua morada.

Por isso recomendo. Em boca fechada não entra mosquito. Melhor ficar em seu canto. Enaltecendo as virtudes, mesmo que elas não existam, daquele ou daqueloutro candidato. Todos eles são santos. Apesar de nenhum deles ser candidato ao céu onde moram anjos.

O voto deve ser consciente. Não aquele trocado por um saco de cimento ou uma penca de bananas. Lembre-se: o fim do ano se avizinha. No ano próximo seremos dirigidos por outro gestor. O que importa é que ele seja idôneo e bem intencionado. Tenha ficha limpa no cartório dos aflitos. E tenha provado ter sido bom administrador. Pessoa competente.  Amigo de todos e que não tenha o costume de alardear feitos não pertencentes a sua folha corrida. Que seja pródigo não em distribuir abraços falsos. E sim  verdadeiro nas suas atitudes durante a vida pública ou privada.

Pena que nem sempre o melhor vence o pleito. Dizem que o brasileiro não sabe votar. Seria verdade o dito?

Num país mais ao norte, onde o povo é mais esclarecido, parece que o atual presidente não se reelegeu. Lá vence quase sempre o melhor. Como exemplo maior cito o ex-presidente Obama. Do qual exalto as melhores virtudes.

Conheço um cicrano, que bem poderia ser beltrano, um dia se manifestou, véspera das eleições, que ainda não sabia em quem votar.

Quase no dia quinze próximo, o tal amigo, um tanto desconhecido, a mim achegou-se.

Com aquele ar arredio, desconfiado, quando foi perguntado em quem iria votar, coçou a cabeça, e ficou calado.

Creio que seu nome era Arnaldo.

Nunca mais o vi. A não ser no dia do voto.

Estava um dia de sol a brilhar no alto. A azulice do céu inebriava os olhos. Era um dia lindo não ideal para se deixar de viver.

Arnaldo acercou-se a mim.

Perguntou-me em quem iria votar. Não respondi de pronto. Retruquei-lhe com a mesma inquisição.

E ele, sorrateiramente, com um sorrisinho maroto, disse-me ainda estar indeciso.

Se votaria no tal de Zé Mané pra vereador. Ou no Zé Doutor, que nem diploma tinha.

Ficamos cerca de meia hora nesta indecisão de boca de urna.

Entramos cada um do seu lado. Saímos sem nos falarmos.

A urna tem segredos inexpugnáveis. Melhor assim do que um bom frango assado.

Mas fica aqui uma assertiva. O voto deve se consciente. Para não nos arrependermos depois.

 

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