Talvez não tenha sido bem assim que a Roma antiga deixou nas linhas da história a trajetória do grande imperador Caio Júlio César ou, em latim – Caius Iulius Caesar. Nascido em 13 de julho a C vindo a falecer assassinado depois de uma conspiração tramada por Marco Junio Bruto em 15 de março a C.
Foi incontestável mente um grande líder político desempenhando papel de irrefutável valor na transformação da República Romana até se tornar Império Romano. Foi considerado pelos historiadores um dos maiores comandantes militares da história.
Em 49 a C César assumiu o comando em Roma como ditador absoluto. Seu sobrinho neto, Caio Otaviano, foi eleito herdeiro em testamento 27 aC – como Augusto.
Toda essa digressão sobre o Império Romano parece desnecessária frente ao que quero testemunhar em forma de crônica. Pode, mas não é.
O fato real, que aqui desejo deitar nestas linhas solenes, pode parecer insolência minha, nada mais é do que a exata verdade do acontecido aos pobres doutores da medicina, aqueles jovens profissionais de saúde, médicos recém saídos do forno por atacado das faculdades que pululam como tiririca no jardim, especialmente em tempos de calor, seja verão, primavera rugindo, ou até mesmo em outras estações indefinidas em nosso hemisfério sul.
Cada vez mais o desgoverno que tenta nos reger com a batuta desafinada de um maestro caolho, parece que o de agora tenta remendar o estrago imenso que aqui deixou a bandeira vermelha do PT, embora existam os do contra, entre eles não me incluo, mais e mais esculápios são lançados nesse barco que tenta adernar em um porto seguro e não é capaz, naquele programa ridículo do MEC que pensa que a solução para resolver de vez as mazelas da saúde pública seja vestida unicamente por falta de profissionais que usavam branco, hoje não usam mais, e acaba enchendo as ruas de profissionais despreparados para a nobilíssima função a que são travestidos.
Daí a enorme avalanche de insucessos nos tratamentos, senões observados nos exames, diagnósticos errôneos, que são sobejamente mostrados na mídia sedenta de escândalos e sangue, pois falar-se de literatura e atos heróicos não conduzem a ibopes estrelados e altos.
Desde quando iniciei minha peregrinação pelos caminhos tortuosos e complicados da medicina, principalmente aqueles que empunham o bisturi, cada vez mais entendo, e passo adiante minha experiência, que quanto mais o paciente procura o serviço gratuito via SUS mais ele se arrepende do atendimento ali obtido.
Na contramão da opção da graciosidade existem as clínicas de excelente qualidade que não prestam desserviço via Sistema Único de Saúde.
São nosocômios de ponta, de primeiro mundo, que em nada ficam a dever aos hospitais dos Estados Unidos da América, ou até mesmo da Alemanha. Isso sem deixar olhando de lado outros de símiles resultados.
Já estagiei em muitos deles. Ali aprendi que o profissional médico brasileiro, quando egresso de bons serviços de residência, mestres ou doutores da medicina, nada ficam atrás dos mesmos esculápios formados em Harvard ou escolas de mesmos portes.
O exemplo que desejo aqui, neste texto emocionado, conta o caso verdadeiro de uma senhora, entrada em anos, com enormes veias varicosas, cada tubo cheio de sangue do tamanho do naufrágio do Titanic ou duas dezenas de baleias Jubartes prenhas.
A gravidade de suas varizes, bilaterais, era tanta, tanta, tanta, que o sangue que fluía por elas não fluía mais.
Suas pernas eram vistas de longe. Não as pernas, as veias varicosas.
Um dia, por aconselhamento meu, seu amigo, não apenas intermediei, como conversei in loco, no seu consultório privado, a fim de ajudar essa minha amiga a se operar de varizes.
Depois de curta espera, pasmem!, ela se operou via SUS. Sem sustos e sintomas de pânico.
A operação foi rápida como o farfalhar de asas de um beija-flor.
Em menos de um dia ela teve alta. Passou a andar sem dificuldades em dois ou menos dias.
Acontece, como de regra sucede, naqueles pacientes que conseguem seu tratamento graciosamente, muitas vezes o resultado da cirurgia, embora tenha sido de boa qualidade, não satisfaz ao paciente operado.
A tal senhora, meses depois, com as suas veias ainda aparentes, muito menos evidentes, com um pequeno formigamento nos pés, normal para um pós operatório recente, interpelou-me com uma observação impertinente: “doutor Paulo. O tal operador de varizes pelo SUS não presta. A minha operação ficou um b… vou procurar um angiologista particular. O que o senhor acha de fulano de tal”?
Nem tentei dialogar com ela. Simplesmente deixei-a falando com suas varizes enormes. Agora, muito menos varicosas.
No dia em que encontrar, de novo, o excelente profissional que operou as pernas da Dona Sicrana, que bem poderia chamar-se Beltrana, pelo SUS, vou lhe fazer presente de um livro novinho em folha. Com a seguinte dedicatória: “meu caro César, não se importe com o fardo pesado que lhe caiu sobre os ombros. Ele faz parte de todos nós, que temos a desventura de seguirmos os mandamentos de Hipócrates. E atendemos gratuitamente, a preços vis, quem nos procura via Sistema Único de Saúde Pública”.
Como um último pedido, por favor, não publiquem tamanha verdade…