As de antes ou aquelas de agora?

O tempo tem me ensinado tantas coisas…
Na minha infância nem sabia calçar um sapatinho.
Até acredito, nos meus cinco aninhos, já morando aqui nessa cidade onde não nasci, mas tenho Lavras como minha mãe de verdade e não postiça. Já que tenho como mãe verdadeira não aquela que expele a cria e sim outra que nos faz gente. Euzinho menininho esperto, quando meu par de tênis tinha o cadarço desfeito, quem o atava de novo? Minha saudosa querida mãezinha dona Rute.
Antes que meus seis aninhos dessem uma guinada aos sete, quem me ajudava nos deveres de casa? De novo seu nome era o mesmo de antes, dona Rute Rodarte que foi professora em tempos idos. Assim como sua irmã tia Cida, aquela professora de verdade que à sua ausência do magistério deixou alunos cientes da importância que mestres deixam dentro da gente. São eles, professores, não doutores como nós, médicos, que prestam relevantes serviços de ponta em crianças, jovens e até mesmo adultos feitos. Sem eles todos nós não seriamos quem somos- profissionais de saúde, levantadores de prédios, cuidadores de idosos e tantos mais essenciais que com a gente se cruzam pelas ruas dando-nos bons dias ou ignorando nossas presenças.
Dantes, em tempos que lá se foram, também chamado passado. Dele não me desgrudo.
Na minha modesta concepção as mulheres, sejam mocinhas ainda, mais rodadas que pneu de caminhão viageiro, que faz milagre percorrendo estradas esburacadas de norte ao sul de nosso país entregando cargas pesadas seja em tempo bom ou tempestuoso.
As de dantes, para serem tidas lindas e formosas, tinham de ser prendadas tanto na cozinha ou empurrando sua barriga no tanquinho de lavar roupa suja que de repente se fazia limpinha.
Essas lindas não careciam malhar em academia duas, três vezes ao dia, fazendo cara feia ao levantar pesos pesados ou correr na esteira, pensando besteira como eu.
Aquelazinhas dos meus tempos, pra gente não contava se em sobrepeso já que pra mim uma gordurinha aqui ou acolá, nádegas caídas ou erguidas não submetidas a bundas artificiais como em uso hoje. Celulite dava um certo iti as mulheres, se de idade novinha ou balzaquiana pra mim tanto fazia a diferença. Atacava-as do mesmo jeito desajeitado.
E qual seria a mulher ideal tanto ontem como agora?
No meu conceito elas não têm a medida certa.
O homem apaixonado, meio tonto, caindo pros lados de tanta bebida, ama a feia e bonita a ele se mostra.
Já os mais atentos, como eu, escritor enxergador mais que os demais, temos uma visão mais acurada.
Quando malhando na academia, ou nos refrescando nas águas límpidas, mornas de uma piscinha, meus olhos se embaciam ao ver nádegas perfeitas, se de verdade ou siliconadas não sabemos até as mesmas serem espetadas por um alfinete pontudo e aquela coisa que era boa se tornar uma bola murcha.
Meus olhos não vêem apenas aquele corpo bem feito, aquela barriguinha tanquinho, não uma máquina de lavar roupa grandona e um tanto obesa. Indo em maior profundidade à alma, ao âmago, ao cerne.
Pra mim a beleza de uma mulher não reside apenas na cor de seus olhos. Se azuis, verdes como os de minha mãe, melhor. Mas, se de cor de burro fugido nem tento fazer esse burro emburrado mudar a cor dos seus olhos. Fico com ele, ou melhor, com a linda mulher, desde ela me aceite como sou e não como ela deseja.
E pra conquistar a mulher de outrora? E as de agora?
O xaveco é o mesmo?
Aquele olhar sedutor dizendo com olhos melosos: “amo só você e nenhuma mais. Te dou meu coração mesmo que o seu esteja em forma e não precisa de transplante. Sonho com ti e acordo em pesadelo.”
Antes, nos bons anos de minha mocidade, quando tentava e retentava conquistar uma moçoila pudica, agora não as achamos mais. Já que todas ou quase perderam seu selo de vergonha nas partes íntimas. As de hoje adoram intimidade logo ao primeiro encontro num banco apertado de um carro. Bastava um olhar sedutor, uma piscadela de pálpebras, mão na dela a seguir, e nossa mão na contramão se ela permitisse.
E tudo que era bom melhor ficava na cama de um motel, melhor ainda se num matel no caso de estarmos os dois no mato. Aí cuidado com carrapatos, especialmente os micuins.
Para se conquistar uma mulher, principalmente as belas e cheias de curvas perigosas como as da estrada de Santos, de São Paulo as praias do litoral, quais os requisitos principais?
Apenas uma cara bonita e um corpo apolíneo o que não tenho?
Uma conta bancária e um talão de cheques não no vermelho e sim na cor azul do céu?
Um, ou centenas de cartões de crédito sem limites com vencimentos díspares?
Ontem fui informado, por uma lindíssima e simpaticíssima moça (não sei e nem quero saber se moça ainda).
Correndo na esteira a passos lentos e olhos atentos as lindas mocinhas que chegavam.
Uma delas, a mais bela entre as mais, velha conhecida e novinha em folha, assim que elazinha chegou.
De repente a própria veio a onde estava.
Deu-me um suculento beijo na minha face que se avermelhou de vez pra sempre.
Quase caí da esteira rodante.
Meio atordoado, sem sequer acreditar no que meus olhos castanhos esverdeados viam, xavequei aquela mais que bela, gostosa, divertida e bem humorada não senhora com essas palavras açucaradas: “o que fazer para entrar no seu coração e fazê-la minha para sempre”?
A danadinha daquela lindinha, me olhou no rabo dos meus olhos e me disse isso só: “faz um pix pra mim”.
Naquela hora perdi a fala, mas gostaria de ter dito a ela: “de quanto é o pix”?

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