Amor caduco

AMOR, palavra a ser escrita e descrita em maiúsculo.

Sentimento que enseja coisa boa. Que varia de intensidade de acordo com a idade.

O qual, quando ainda meninos começa nas brincadeirinhas de médico e paciente.

Quando o futuro doutorzinho espera na sua salinha que a sua vizinha lindinha. Aquelazinha de uma lourice de fazer o sol se encantar com a beleza da lua volte da escola despenteada de tanto ser ralada pelos coleguinhas. E quando ela entra na sua sala feita oficina de trabalho ( descarece dizer consultório).  Logo pede que elazinha tire a roupa todinha. Embora elazinha não tenha queixas nenhumas de algumas partes escondidas sob a sainha curtinha.  E de repente, sem ser um repentista, tasca um beijo demorado em suas bochechas que resvala na testinha e termina na boquinha. A isso chamo de amor de sacanagem. Que começa bem cedinho e termina quando Joãozinho se torna mais mocinho.

O amor envelhece, mas nunca apodrece. Como um mamão bem maduro que, se posto na geladeira dura muito tempo mais.  E se, misturado a outras frutas como maçã, uva preta, bananas então, se transforma numa salada de  frutas tão boa como a que minha querida Zaninha faz.

Na mocidade o amor se torna mais quente e pode levar à cama o casal. Não para dormir ou tirar um cochilo gostoso depois do trabalho. E sim para, depois de beijos e amassos, entre gemidos  não de dor e sim de prazer.  O casal, a mocinha por cima, o mocinho por debaixo da sainha.  Já que elazinha despudoradinha não usa calcinha. Esse amor recebe o epíteto de amor de consequências tardias danosas: “quem vai cuidar do bebê chorão que nove meses depois vai nascer?”.

Já na fase adulta o marido adúltero divide seu amor em duas ou mais partes.

Ao lume dos dias ele fica em casa. Finge fazer amor com a esposa. Mas pensa na outra quando por cima dela. Quando diz que está no trabalho em verdade dá trabalho à amante. Com a tal fulana não tem coragem de sair à rua. E quando é pilhado em fragrante delito andando de braços dados com aquela mulherona gostosona diz ser sua tiona que voltou inda pouquinho da Rússia.

Dando uns passinhos à frente vou escrever sobre outro tipo de amor. Um amor que desabrocha quando o marido fica broxa ( o pinto não sobe mais). Como uma flor que de botão se transformou numa rosa murcha despetalada em pétalas macias sob a relva de um jardim.

Conto a vocês, meus leitores que podem ser tornar meus eleitores no próximo pleito. Quando me candidatar a qualquer  cargo tanto na esfera federal, estadual ou municipal. Por favor, eu lhes suplico: “não votem em mim. Se eu ganhar a eleição para prefeito vou ser um prefeito imperfeito. E se eu for vencedor da eleição com certeza irei perder a minha ereção. Brocharei de vez para sempre.

Dona Maria e seu Eusébio celebraram bodas de diamante no verão passado.

Uma vida inteira juntinhos entre tapas e bofetões na cara um do segundo.

No entanto dos entre tantos eles não se desgrudavam.

Pareciam dois pombinhos disputando grãozinhos de milho jogados pelos turistas na praça de São Marcos em Veneza.

Eles foram apresentados um para ou outro no rela do jardim.

Mariazinha, lindinha menininha, andando pra lá e Eusebinho pro lado de cá.

Dantes eles trocavam olhares apaixonados.

Agora só querem saber de olhar o segundo pelas lentes de um binóculo bem longe.

Quando os conheci dona Maria já era bem rodada. Mais velha que a serra que daqui se avista à distância.

Seu marido Eusébio já havia perdido a dentadura um milhão de vezes.

Aquele amor começou há uma penca de bananas anos atrás.

Ainda meninos ao primeiro trocar de olhos.

Depois de os olhos se transformarem em olheiras e não enxergarem mais  o casal pensou na separação de corpos que já não se aturavam mais.

Seria tarde demais para se decidirem pela separação?

Eu não sei, pois ainda não me separei. Minha mulher  também não sabe pois ela esta viajando pra bem longe.

Quando encontrei o casal, naquela mesma praça noutro banco.

Dona Maria regava as flores do jardim com sua saliva cuspideira. Tomava banho pelada na fonte desiluminada  no centro do jardim.

Seu marido Eusébio, vestido apenas  com sua cueca samba canção, cantava uma musiquinha que ele mesmo compôs.   Dançando uma valsa dolente indiferente ao que diziam os passantes.

Como chamar um amor como esse? Não seria mais um amor platônico. Ou pãotônico como um amor nascido numa padaria entre dois jovenzinhos.

A melhor definição para esse tipo de amor pra mim seria nomeá-lo de AMOR CADUCO.

Não sei se já estou caducando.

O que pensam vocês?

 

 

 

 

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