Todas elas são.
Embora maltratem-nas em nosso país. Cometem erros grosseiros tanto na grafia como na gramática.
E a última flor do Lácio. Inculta, e ainda bela. Com sua beleza agredida tantas e tantas vezes.
Permanece reconditamente escondida onde menos se espera. Numa curva da estrada. Numa encruzilhada qualquer. Seja na ponta da língua. Seja em cadernos pautados. Onde aquela meninazinha deixou nas entrelinhas a sua letra bonita.
No meu entender todas as palavras soam importantes. Seja no discurso inflado pelo orgulho do orador da turma. Não me lembro quem discursou na minha colação de grau. Estava tão empolgado naquela noite onde estrelas brilhavam no alto. Que nem percebi qual estrelinha entre tantos doutores. Vestindo aquela nossa beca negra. Falou mais alto que o nosso paraninfo.
Eu prefiro palavras e frases curtas. Dizem que quem fala muito dá bom dia pra cavalo. Seria esse exatamente o dito?
O cavalo. Meio burro. Aqui assentado defronte a este teclado negro de letras brancas. Escreve sem olhar para o teclado. De quando em vez o corretor ortográfico me implora para ir mais devagar. E eu divago sem saber como continuar este texto.
Não se fazem mais Josés Marias ou Ângelas como se fazia dantes.
Gente disponível a cada instante. Que atende ao celular sem ao menos desdenhar sobre quem está do outro lado da linha. Gente simples. Atenciosa, amável e responsável. Que recebe a ligação em horas impróprias e inoportunas. E acede ao nosso pedido mesmo que ele seja indigesto.
Não me acho a derradeira bolacha do pacote. E, quando me olho no espelho percebo que o mundo não gira na minha órbita. Existem outros seres pensantes ao meu derredor. Daí a minha tentativa de ter paciência ao pedir um atendimento qualquer.
Já conheço o Zé Maria bombeiro encanador desde quando me meti a construtor. Em absoluto não me acho com a mesma capacidade de um engenheiro ou mestre de obras. Um dia tentei servir a um pedreiro capacitado e me dei mal. Ao fazer uma masseira acabei tombando o carrinho de mão. A pá escapuliu da minha mão fininha como bunda de nenê. E a enxada virou enxó.
Já a Ângela a tenho comigo há inexatos mais de trintanos. Eu e ela sempre nos demos muito bem. Nos dias atuais de vez em sempre ela me puxa as orelhas. Merecidamente.
Já outros ditos prestadores de serviço não têm a mesma atenção ao celular.
Aqui na minha cidade já fui informado da má qualidade de certas empresas. Outras não tenho do que me queixar.
Há dias atrás fui pego de surpresa com um vazamento incômodo na minha purificadora de água do meu apartamento. A pia ficava toda alagada como um charco alagadiço.
E a minha querida Ângela não sabia como lavar a louça da cozinha.
Foi preciso fechar o registro para que a gente não ficasse submerso num mar de água doce. Ainda melhor que a nossa água recebe o tratamento da Copasa.
Aquele inconveniente já havia acontecido mais de duas vezes.
Um técnico, dito competente, veio e parcialmente resolveu o imbróglio.
Mas o vazamento recorreu.
Eu, que nada entendo de pia entupida. Ou de vazamentos de água. De novo recorri a quem?
Ao tal telefoninho andejo. O inadiável e inseparável celular.
Foram cinco dias e algumas noites em claro para ser atendido em certas firmas de refrigeração.
E de nada adiantaram as minhas ponderações.
Do outro lado da linha só escutava uma criança berrando. E nada de me fazer entender com a secretária. Que deveria ser solícita e cordial com os fregueses.
Acabei desistindo de ser atendido. O técnico me avisou, por uma mensagem nada cordial pelo celular, que não iria me visitar. E que eu podia me afogar na pia da cozinha.
Terminei meu sofrimento comprando um novo purificador de água numa loja da cidade.
E desci pela rua direita com uma sacola pesada no meu antebraço prestes a esbarrar num passante.
Enfim. De purificador novo em folha. Que foi habilmente instalado pelo prestimoso Zé Maria bombeiro encanador. Que ainda não se aposentou por completo. E ainda faz uns biquinhos.
Estou feliz da vida cá no meu ninho de escritor.
Se querem saber qual é esta palavra muito importante. Procurem no pai dos burros o que seja DISPONIBILIDADE. Em maiúsculo sim.
Como maiúsculos são as Ângelas e os Josés Marias que felizmente ainda existem. Pena que um dia serão extintos como os dinossauros.