Enfim, sucesso…

Coisa boa é ter sucesso nalgum empreendimento em nossa vida.

Tome-se como exemplos: figurar no quadro de honra em nossos estudos seja no primeiro ou segundo grau. Passar no vestibular sem desistir depois de várias tentativas vãs. Contrair núpcias com a mesma namoradinha com quem trocou olhares no rela do jardim. Prevenir o nascimento de filhotes antes de conquistar uma boa morada. Comprar uma fazendinha sem saber a razão de o leite ser branco mesmo a vaca sendo pretinha. Passar o bastão a um amigo em quem confia depois de amargar prejuízos na atividade leiteira anos e anos sem ver a cor do dinheiro investido. Entrar pela vez primeira numa casa própria. Mesmo que seja uma choupana dependurada num morro qualquer. Poder comprar uma roupa numa loja elegante. Não precisa ser roupa de grife. Basta que naquele bolso da calça não tenha entrado dinheiro afanado. Investir na bolsa de valores? Eu nunca consegui. E por aí a fila espicha.

Embora os conceitos de ter sucesso variem segundo a pessoa em foco.

Muitos endinheirados atribuem o sucesso conquistada ao tino para os negócios.

Já outros, mais espertos, espertalhões deveras, têm sucesso depois de eleitos a cargos públicos. Como deputados ou senadores. E amealham somas polpudas por participarem de propinodutos. E rios de grana entram-lhes bolso adentro. Num piscar d´olhos.

Pra mim ter sucesso se resume num par de coisas. Não num mar de lama. Como se locupletam muitos larápios neste nosso Brasil onde o crime compensa. E quem paga cadeia se resume nos três ps: preto, pobre e prostituta.

E sou feliz e bem o sei. Pois, aprendi, nestes mais de setenta anos. No próximo dezembro, dia sete, completo setenta e três. Que felicidade não se tem por inteiro. Ela existe em instantes fugazes. Com a mesma velocidade que batem as asinhas dos beija flores. Que oscilam de flor em flor. Sugando o néctar das rosas, petúnias e jasmins.

Creio que consegui um certo sucesso na minha jornada vida adentro ou dando foras.

Sou médico ainda longe da aposentadoria. Como me ensinava meu saudoso pai: “não se aposente nunca meu filho. O ócio é o começo do fim”.

Mas. Para se conquistar o sucesso pleno mister se faz ter como dogma uma palavrinha pra muitos inexpressiva: simplicidade. Ou que seja- humildade.

Daí, no meu conceito, quem se pavoneia que nem pavão. Com seu leque de plumas ereto. A se exibir à fêmea. Pode cair do galho e ir ao chão. E, outro pavãozinho. Não tão brilhoso e vaidoso. Humildemente se mostra à fêmea vestindo apenas as penas costumeiras. Uma simples bermuda remendada ou cheia de buracos por onde entra o vento. E cai nas graças daquela linda pavoazinha. E ambos se apaixonam loucamente. Nascendo, daquele consórcio, belíssimos pavõezinhos.

Ah! Se eu pudesse voltar no tempo. Montado nos conhecimentos adquiridos nestes anos todos. Cônscio das minhas responsabilidades. Tranquilo e sossegado com meu patrimônio conquistado a duras pelejas. Seria mais que um sonho ou um devaneio.

Quando vejo meus netinhos espoletas. A me fazerem de montaria. Ou jogando-me ao chão. Obrigando-me, mesmo exausto. A brincarem com eles de fazer barraca na cama ou guerra de travesseiros. Aí sim. Me dá uma vontade imensa de retroceder no tempo. Quando tinha meus vinte anos. Ou um cadinho menos.

Melhor ainda. Indo mais distante. Ai quem me dera ter meus cinco anos.

Foi nesta idade que me mudei de Boa Esperança para esta minha Lavras amada. Para aquela casa. Que agora não mais existe. Naquela mesma rua chamada Costa Pereira.

Já tentei de tudo para voltar no tempo. Fiz de conta que era menino.

Mas, ao tentar mijar no vaso acabei errando o alvo. Mijei mais abaixo. Meu dedão do pé acabou ensopado. Pior seria se o mijo não saísse e eu precisasse usar sonda. Felizmente isso ainda não aconteceu.  E oxalá não precise de me consultar com um colega de especialidade.

Uma vez tentei me tocar no fundo do meu âmago. E como o auto exame de próstata é complicado de se fazer. A minha coluna quase se partiu ao meio.

Foi ontem o sucedido.

Fui a uma relojoaria na intenção de colocar um relógio de pulso preto a funcionar.

Era um relógio esquecido numa gaveta qualquer.

Já que tenho meu apple watch em perfeito estado no meu pulso esquerdo pra que usar dois relógios? Seria na intenção de não perder a hora?

Foi lá. Naquela lojinha simpática. Aqui pertinho do meu consultório. Enquanto esperava meu relógio preto acordar. O dono da relojoaria. Meu amigo Torres. Gente de familia que morava nas vizinhanças da minha rocinha. Me recomendou uma novidade.

Era um relógio de parede cujos ponteiros retrocedem. Eles andam ao revés. De trás pra frente.

Um relógio milagreiro.

Agora. Já que no próximo sete de dezembro iria completar setenta e três. Com este novo relógio, companheiro. Ao invés de atingir a cifra dos três. Irei retroceder ao menos um.

Que bom! Perfeito. Não poderia ser melhor.

Enfim, sucesso. No dia sete do próximo mês estarei um ano mais jovem.

Quem sabe. Neste mesmo caminho. Usando da parceria boa deste meu relógio novo.

Chegaria, finalmente, à idade dos meus três netinhos. A bancar o seu cavalinho mansinho. Sem empinar ou bolear.

 

 

 

 

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