Frustrou-se mais um natal da pequena Tais

Quantas e incontáveis pessoas se sentem de alguma forma contrariadas.

Umas por não conseguirem o tão sonhado presente de aniversário.

Outras crianças por não terem recebido como presente de Natal aquela bicicletinha de rodinhas amarelas. A mesma vista numa loja de um shopping cuja especialidade era aquele veículo de duas rodas que muitos deles se utilizam como meio de transporte. Já outrem fazem da bike uma atividade prazerosa. Pedalando tanto pelas estradas asfaltentas como da mesma maneira poeirentas na escassez das chuvas.

Usando vestimentas apropriadas. Ou singelamente nada além de um par de chinelas havaianas falsas. Um chapelão de palha desbotado e furado de tanto mourejar ao sol. De ter de carpir um matagal viçoso por detrás de sua casinha singela da roça.

E, enquanto uma bicicleta importada é comprada ao preço de um carro novo. Sendo seu valor da altura equivalente a um prédio de mais de não sei quantos andares. Já aqueloutros. Modesto, mas com a contas em dia, vivendo de um reles salário mínimo. Sempre pedala lentamente. Numa pobre e enferrujada bicicleta que mais parece dinossáurica. Entretanto chegando ao mesmo lugar daquele ciclista que se vangloria. Junto aos amigos que nutrem a mesma paixão pelos pedais. Sem ao menos um suspiro de fadiga. Um suor empapando-lhe a camisa velha. E os outros rapazes. Que só usam as bikes nos finais de semana. Desacostumados à labuta cotidiana. Assim que chegam aos seus destinos só desejam descansar numa cama macia. Ou piscinando nas águas tépidas de uma banheira de hidro. Cercado de espumas perfumadas. Melhor ainda na companhia de uma mulher dama. Ou, melhor dito, garota de programa.

Quem diz que prostituta. Ou rameira. Ou usando outros nomes de sinonímia semelhante. Tem vida fácil aí é que engana.

Mulher de vida fácil é sim aquela linda mocinha que perdeu o selo de castidade anos e anos passados. A primeira vez aconteceu com o primeiro ficante.

A seguir repetiu o ato sexual com um priminho dito inteligente.

Só que o tal mocinho de inteligente nada tinha. Durante aqueles instantes de luxúria e tentação o preservativo foi deixado de lado. E, a mesma mocinha linda e dona de um corpo digno de ilustrar a capa da revista Playboy acabou engravidando. E deu à luz a uma linda menina.

A qual batizou com o primeiro nome de Tais. O segundo não se sabe ainda quem foi o autor da arte. Já que a mãe da Taizinha não se contentava em fazer sexo com unzinho sequer. E, durante um dia e uma noite inteira vendia seu lindo corpo a quem por ele pagasse mais.

Torna-se um desagravo imenso e injuriante ser chamado por filho da puta. Ou vai pra puta que o pariu.

Puta, rameira, meretriz, amásia, perdida, bagaxa, cocote, concubina, cortezã, dama, garota de programa ou acompanhante de luxo, marafona, messalina, mulher de rua, mulher de vida fácil, mulher perdida, mulher pública, pécora, piranha, rapariga, rascoa, rascoeira, tolerada, vaca. E por aí e acolá se estendem os vários apelidos que prostituta coleciona em sua extensa folha corrida.

E, a pobre Taizinha, tendo de seguir o mesmo caminho da mãe puta. Pois quando velha a pobre puta deixa de ser garota de programa para se transformar. Por sorte pode virar cafetina. E, se der azar se metamorfoseia em mulher gasta. Que não tem mais brilhos nos olhos e as rugas e pelancas alastram-se pelo seu corpo antes sem celulite. A sua bunda cai. Os seus lindos cabelos embranquecem. A sua fina cintura dita de viola se torna igual a uma sanfona redondinha. E os fregueses desaparecem quando a pobre infeliz mal espera.

E a mesma menina de olhinhos azuis. Pele clarinha com uma nuvem sem indícios de chuva.

Corpinho que já naqueles verdes anos já mostrava o que seria. De nádegas redondas e de uma maciez tal e qual um travesseiro feito de penas de ganso. Dois peitinhos não muito grandes ou pequeninos como dois montinhos que fazem a bola desviar-se do seu caminho rumo ao gol. E tudo nelazinha era perfeito. Feito na prancheta de um arquiteto famoso por seus lindos projetos magníficos.

Quando Taizinha completou dez aninhos. Seu aniversário coincidia com o dia vinte e quatro de dezembro. Que se avizinha. Falta apenas um mês para o natal.

A mãe da menina, no pretérito linda como uma cotovia cantando imitando um sabiá. Já bem rodada com sua bolsinha à espera de clientes. Muitos deles debochavam de sua idade já ultrapassada. Nem recauchutagem daria mais. Muito menos ressolagem ou meia sola.

Avizinhava-se o dia em que o bom velhinho. Vindo de longe. Alguns dizem que da distante Lapônia. País onde a neve cai quase todos os meses. Na véspera das festas de natal mais ainda.

E a linda menininha Tais.  Já contando com treze aninhos. Encontrava-se à espera da mãe puta. E ela não chegava. Mil e um pensamentos povoavam a mente fértil da linda criança.

Quem saberia dizer se a sua querida mãe. Dizem ser a prostituição a mais antiga de que se tem notícia. Não me cabem dúvidas sobre o assunto.

Embora pense que sejam os políticos desonestos os mais em evidência na questão dos anos que eles apareceram sobre a face da terra. E ninguém ainda sabe quando eles serão extintos como os dinos.

Naquela véspera do dia de Natal a linda Taizinha. Enquanto esperava a mãe. Embora desconhecesse quem fora o pai genético.

Eis que lá pelas quase meia noite. Como a ausência da mãe a preocupava.

Bateu à porta de sua humílima morada um velho tio. Que há anos não dava a fuça.

Ele, não vou declinar-me o nome. Se Sebastião ou Antonho tanto faz. Como tanto se desfez.

Antes de uma boa noite. Ou entregar-lhe um presente que por um acaso não trouxe.

Agarrou a menina pelos lindos cabelos negros. Apertou-a junto a si. Tirou-lhe num átimo todas as peças de roupa. E a atirou com força de um touro louco a um sofá da sala de visitas.

A linda menina. Que nunca havia pensado em se tornar rameira como a velha mãe.

Na escola se ruborizava todinha quando as coleguinhas a chamavam de filha da puta.

Foi estuprada várias vezes. Teve tanto seu anus perfurado como a sua vagininha toda fechadinha.

E como a menina Tais se debulhou em lágrimas lacrimejantes. Era um choro compulsivo acompanhado de soluços.

Desde então nunca mais outros natais fizeram a linda Taizinha se alegrar. Acabou desacreditando no Papai Noel.

Assim acontece a muitas Taizinhas vida afora.

Reconheço que a prostituição seja a primeira profissão que apareceu bem antes do período Cretáceo ou dos dinossauros.

Mas, quem a elas atirar a primeira pedra se olhem no espelho.

Talvez a imagem que nele se reflete não a agrade totalmente.

Ou ela vai frustrá-la. Ou agradá-la.

Eu não saberia responder. Acredito que nem vocês.

 

 

 

 

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