“Já amolou seu canivetinho?”

Já ouvi múltiplas frases sobre este mesmo tema.

“Meu menino. Você já fez sexo pela primeira vez”?

“Ou até mesmo se deitou com uma rapariga levado pelo seu pai numa corruptela qualquer”?

“Quem foi a sua primeira parceira no ato de amar? Foi uma galinha? Uma cabritinha pela qual se apaixonou? Ou uma égua mansa que você levava num matinho. Escondidinho dos seus pais. Usando um velho cupim abandonado. Que nos tempos de antanho nem formigas habitavam? Ou foi com sua babá. Não aquela professorinha que lhe ensinou o b a bá. Ah! Pra mim foi aquela sua coleguinha tida como purinha. Muito embora. Em boas ou más horas havia se deitado. Não para cochilar. Com a turma inteira de seus colegas. Aquela mesma que se tornou mulher dama. Conhecida velha de programa. A qual cobrava. No começo duzentos reais para fazer de tudo um cadinho. E, ao ver a velhice chegar fazia quase de graça. Sem fazer graça soltava as velhas pelancas para qualquer um. E acabava abrindo as pernas varicosas sem medo de ser infeliz. Ou tornar infeliz o pobre que a tenha possuído. Depois arrependido por ter-se contaminado como sífilis. Gonorreia. Condiloma acuminato. E outras doenças sexualmente transmissíveis. Sem querer alongar-me na lista paro por aqui”.

E o rapazinho.  Avexado e ruborizado. Ao pai respondia encabulado: “o senhor quer mesmo saber? Até a presente data. Só faço nove anos na semana que vem. Só tenho descascado uma punhetinha sozinho. Tendo como inspiração a garota capa da Playboy. E como tem mulher gostosa por aí. Pena que muitas cobram a grana bem maior que a mesada que o senhor me dá por semana”.

Já amolar seu canivetinho foi a primeira vez que ouvi falar.

Voltava da minha rocinha. Antes da hora do almoço. Neste sábado ensolarado e quente. A data é vinte e dois de outubro. Sábado.

Acompanhado do meu novo caseiro. O sorridente. Embora tenha poucos ou quase nenhures dentes. Um banguela de gengivas rosadas. Que recusa a dentadura por lhe causar incômodo. Por mim batizado de Tom Zé. Já que seu nome é Antônio José. Filho bom do meu velho amigo Pedroso. Que mora solitário numa velha casa. Caindo aos pedaços. Já que a mulher o abandonou por não apreciar a vida dura na roça. Ao qual devo muito. Pois ele. Além de eficiente e impontual. Já que era pra chegar à minha casa à beira da represa do Funil antes das sete e meia. E chega impontualmente as dez e meia. Com várias desculpas esfarrapadas. Dizendo. Ora tem de tirar leite. Ou fazer dois queijinhos naniquinhos que mal dão para encher a panela do meu dente. Mas Tom Zé tem uma virtude. Apesar de não ser virtuoso. Cozinha como poucos. Faz um macarrão ao alho e óleo que nem a minha querida Ângela sabe fazer.

Faz cerca de arame farpado sem arranhar o traseiro gordo. Cuida dos meus amiguinhos cachorrinhos – o Robson e o Clo. Como se fossem seus próprios filhos. E me ajuda a economizar poupando de tudo um cadinho. E ainda me dá bons conselhos como a minha querida e saudosa mãe me dava. Graciosamente.

Durante a nossa volta juntos. Na minha nova caminhoneta branca. A de marca Renault.

Da espécie chamada Oroch. Linda como um pôr de sol quando se abre um arco íris.

Lá pertinho do velho amigo Geraldo da dona Nega. Tia do Tom Zé.

Emparelhei minha Oroch ao lado de um trator.

Quem conduzia a máquina. Uma das muitas do seu pai Zé Peleja. Era o garoto Luquinha.

Ao seu lado no trator ia a sua namoradinha jovenzinha. Da qual não perguntei o nome.

Só fiz um selfie de nós três. O qual irei postar no Face assim que terminar a crônica de hoje.

O gozador Tom Zé. Que fala mais que maritaca chupando jabuticaba no pé.

Foi ele quem me falou. E disse não ter sido frase sua. E sim do Geraldo da dona Nega.

“Você já amolou seu canivetinho?”

Até agora me confundo. Seria o fim do mundo?

Já sabia e ressabia que transar. Namorar. Ficar. Ou ter relações sexuais. Que seja pela primeira ou undécima vez é bom demais.

Mas amolar o canivetinho pra mim foi novidade.

Foi quando. Ao ver os dois namoradinhos naquele trator. Recomendei-lhes cautela.

Usa a bainha do canivete para não prenhar a mocinha. E se o tal canivete estiver afiado cuidado. Mais cautela ainda…

 

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