Vocês conhecem coisa pior do que ficar com o grito entalado na garganta ao tentar soltar um palavrão de desagravo frente a uma cena que nos incomoda?
“Solto a voz, nas estradas, já não quero parar. Meu caminho é de pedra, como posso sonhar. Forte eu sou, mas não tem jeito, hoje eu tenho de chorar. Minha casa não é minha. E nem é meu este lugar. Estou só e não resisto. Muito tenho o que falar.”
Não vou continuar a decantar os versos do mineiro, nosso vizinho de Três Pontas, que em pouco anunciou a derradeira turnê, mesmo sendo lindos os seus versos, dentro da disparidade das opiniões que ecoam por todos os cantos, mesmo os desafinados de nossos compatriotas, que por certo, ou por um equívoco malogrado, escolhem este ou aqueloutro de nossos candidatos a mandatário maior de nosso amado e tão injuriado Brasil.
Hão de concordar comigo que de fato existem dois Brasis.
Aquele dos ricos e endinheirados. E outro onde a miséria, a fome, o desemprego, afrontam-nos os olhos, frente a tantas desigualdades que por aí, ou por cá existem. É só não caminhar com olhos vendados, na intenção nada louvável de não poder ver tantas crianças sem teto, desprovidos de pais no sentido amplo da palavra. Pois verdadeiros pais são aqueles que criam, acolhem sob o seu teto, oferecem afeto. E não aqueloutros que, por ventura, depois de uma noite quando o desejo por sexo fala mais alto. E desta relação fortuita, nove meses depois nasce uma criancinha que ou é jogada no lixo. E por sorte elazinha ainda respira. E felizmente é acolhida por mãos caridosas. Que a levam à própria casa e passam a vida inteirinha dizendo papai e mamãe. Mesmo não exibindo os mesmos genes daqueles a quem posso chamar de verdadeiros pais.
Ontem, hoje um cadinho menos, havia perdido a voz. Considero o acontecimento devido a motivos vários.
Havia passado o derradeiro sábado na roça em ótimas companhias. Minha esposa amada nos acompanhava. Ao nosso lado amigos chegados estavam conosco. Marcelo de Souza, sua esposa Rose, o guardião de nosso refúgio sacrossanto de nome Robson, também conhecido como Binho, filho de outros amigos que moram na casa amarelazul, cenário do meu romance Madest, e meus dois amiguinhos. Clo e Robson, dois cãezinhos ainda filhotes, que moram num canil recém modificado, antes morada do saudoso pastor alemão Del Rey. Que infelizmente pastoreia as ovelhas desgarradas no céu onde penso ainda fazer companhia afetuosa aos anjos e ao papai do céu.
Marcelo, aquele que ama postar sua fotografia sempre montado á cavalo, um palrador irrecuperável, fala mais que maritaca em busca de jabuticabas maduras, um verdadeiro papagaio de língua solta, falava e gritava pelos cotovelos. Um churrasqueiro de mancheia de gordura, que nunca se desprende de seus óculos de fundo de garrafa, não vou dizer que ele vai fundo na garrafinha verde de uma tal Heineken. E ainda o considero amigo, não tanto quanto os cãezinhos amistosos que vivem dentro do canil agora espaçoso.
Como a temperatura mais e mais nos aquecia uma piscina de águas quase enregelantes nos suplicava que entrássemos dentro dela. Liguei a cascata. E depois fiz funcionar a hidro.
Eu logo me atirei naquelas águas de temperatura oscilante entre alguns graus a menos do que a prudência recomendava. Marcelo hesitou, mas fez o mesmo. Depois de umas duas dúzias de Heineken.
E que churrasco delicioso Marcelo, ex dono da égua antes chamada de Garota. Agora a rebatizei de Santa Rosa. Em honra e glória á minha sacrossanta esposa.
Imputo àquele entra e sai da piscina, á cervejinha estupidamente gelada que acabamos bebendo, a falação do amigo Marcelo, que não parava de matraquear, a rouquidão que até hoje, pela manhã, me acompanha.
As eleições se tornam cada vez mais próximas. Em outubro teremos de decidir aquele que vai nos dirigir pelos próprios quatro anos.
O presidente atual mostra controvérsias. Bocas abertas dizem absurdos de suas atitudes muitas vezes destemperadas. Mas podem dizer que ele seja um bocarroto. Que responde deseducadamente aos que a ele lançam perguntas descabidas. Que não tem papas na língua. Mas nunca os descontentes petistas, de camisetas vermelhas, poderiam dizer que o nosso presidente atual tenha escolhido segunda esposa menos linda que a minha querida Rosemirian.
Podem dizer que Bolsonaro costuma atrair multidões em suas motociatas.
Mas que ele tenha enfiado a mão no seu borso, como disse uma senhorinha injuriada dias antes, à minha frente na fila do Procon, pra mim isso não passa de uma Fake. Uma mentira a ser provada como já foi a culpabilidade do seu oponente, que, na minha modesta opinião, deveria não ter saído de entre as grades de uma cela escura e lúgubre como sua cabeça branca e sua barba nevada. Não me sai da cabeça a imagem de um sapo barbudo, epíteto que Luva levou, em priscas eras.
Solto a voz, seja nas estradas, que seja nas ruas de qualquer cidade de nosso amado país. Agora, que a minha rouquidão se atenuou, quase findou-se, sem medo de me tornar infeliz, meu voto será na direita. Esquerda, nunca irei ver.
Solto não somente a minha voz. E como também declaro a minha intenção de votar no atual presidente. Doa a quem doer.