Hoje, dezenove de março, dia fresco, verão se despedindo, mais um dia que nasce, ruas vazias, pessoas ainda dentro de casa, saí à rua a mesma hora de sempre.
Sexta-feira deveria ser um dia de regozijo. Sextou! Diriam, sorridentes, nos tempos idos.
No entanto, nestes tempos de pandemia, pouco temos a celebrar.
A doença ainda está descontrolada. Mortes são anunciadas a cada dia. Sofrimento, desânimo, desalento.
Filas imensas se formam nas grandes cidades. Trabalhadores se preparam para tomar a condução. Aglomerações, que deveriam ser evitadas, se formam durante as madrugadas.
Um ano inteiro passamos por este sofrimento. Cada vez mais intenso. Sem hora ou dia de terminar.
Nas altas esferas recomendam que fiquemos em casa. Como se fosse possível, a um pai de família, cruzar os braços, e ficar impávido dentro de casa sem trabalhar.
Bem sei que o isolamento é recomendável. Pena que muitos que trabalham fora não podem seguir esta recomendação. E eles continuam aglomerados. Em busca de seus ganha pão.
Neste dia dezenove de março, véspera de um final de semana, amanhã mais um sábado nos acena com seu hálito cheirando a doença, vou pra roça que tanto amo.
Ali as máscaras são evitadas. Até no presente momento não tive noticias de a tal virose infectar vacas ou animais do campo. Felizmente, até no presente instante.
Até quando, de vez em quando me indago, iremos continuar neste sofrimento intenso.
Até quando vamos ser impedidos de sair de casa. Ir ao trabalho sem temer as consequências de tal ato tresloucado.
Até quando vamos continuar assim. Sem podermos abraçar amigos. Sem o convívio fraterno com nossos entes queridos. Usando máscaras. Com as ruas vazias. Com o comércio fechado. Sem podermos sequer ir ao hospital para simplesmente visitar algum paciente, que foi operado de outra patologia qualquer. Que não seja esta virose assassina.
Até quando, mais uma pergunta sem resposta, iremos poder assentar a uma mesa de bar. Tomar uma cervejinha gelada, degustar uns tira-gostos apetitosos, sem sermos importunados por alguma autoridade que nos faz voltar pra casa.
Até quando, mais uma vez indago, iremos permanecer amontoados como salsichas em lata, a espera do tal auxilio emergencial, uma importância irrisória, que mal dá para comprar o leite pras crianças que em casa passam fome.
Até quando, que este dia venha logo, vamos poder caminhar livres e soltos pelas ruas, com a cara descoberta, distribuindo bons dias a todos. Amigos velhos ou desconhecidos.
Até que dia vamos continuar na lida. Com as fábricas retomando suas atividades. Oferecendo empregos a quem precisa.
Até quando, pergunta ainda sem resposta, vamos continuar nesta vida tresloucada, com receio de fazer novas amizades, apenas nos abraçando virtualmente.
Tantos até quando me passam pela cabeça. São tantos que nem imagino quantos.
A vida deve ser vivida em intensidade plena.
Dai a minha pergunta. Até quando?