A volta às aulas do Chiquinho. Neste vai e vem das indefinições

Aquele não foi um ano fácil.

Devido a pandemia as aulas foram interrompidas.

Um ano inteiro foi perdido.

Esse tal ensino à distância mais parecia uma utopia na vida daquele menino.

Chiquinho vivia na roça. Sem internet ou computador como fazer para acompanhar, lá de longe, os ensinamentos ministrados por sua professorinha querida? A mesma que lhe ensinou o b-a-bá?

Chiquinho passava horas perdidas imaginando-se assentado àquela cadeira dura, escutando atento as aulas do professor.

Mas, desde quando, no ano passado, foi impedido de voltar a escola, tudo mudou na vida daquela criança. Que acalentava um sonho de ser doutor.

Agora ele passa dias a fio tentando aprender, num quadro negro imaginário, tinto na jabuticabeira do fundo do quintal, dividindo o espaço com as maritacas, com os marimbondos, com os assanhaços azulados, com uns amiguinhos imaginários, frutos de sua imaginação fértil.

Ai que saudade dos velhos tempos. Quando tinha uma mochila amarela, com uma figura de um super-herói a enfeitar a parte de trás, e caminhava com ela até a porteira aberta, tomava a condução que o levaria à escola da cidade perto, e, na hora do recreio jogava futebol num campinho cambeta, e, assim que o bedel o convocava, voltava a sala de aula para mais uma jornada de aprendizado.

Um ano inteiro se fez presente. Chiquinho estava ausente da escola.

Como fazer para voltar aos estudos? Se ele era um bom aluno. Com um futuro alvissareiro a esperar por ele.

Devido a pandemia as aulas foram interrompidas. Um ano inteiro se passou. De repente.

Fevereiro mostrou as caras. Era tempo de carnaval.

Devido a tal doença nem festividade aconteceria mais.

No entanto as aglomerações continuavam. Eram proibidos os ajuntamentos. O uso de máscara era obrigatório.

E a volta a escola era discutida aos quatro ventos.

Chiquinho sonhava estudar de novo. E a escola permanecia de portões fechados.

A vida do menino continuava sem rumo. E como era importante retomar seu prumo.

Naquela manhã de quarta-feira enfim foi anunciada a volta às aulas.

As professoras, paramentadas a caráter, todas usando máscaras, recebiam os garotos com um sorriso na face.

Chiquinho chegou a escola todo animado. Depois de um inteiro de paralisação.

A vida prometia retomar seu ritmo normal.

Foi quando, num átimo de segundos, foi anunciado por uma autoridade, que as aulas não mais seriam presenciais. Neste vai e vem das indefinições.

Tudo voltou a ser como dantes no quartel de Abrantes.

Chiquinho voltou à roça. Desanimado, desiludido, com o futuro ameaçado.

E como é importante continuar os estudos. Praias lotadas. Ruas apinhadas de pessoas. Escolas fechadas.

Retomar os estudos é fundamental para qualquer nação. Da mesma forma que educação não pode ser relegada a segundo plano.

Pelo menos esta é a minha opinião.

 

 

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