Palavra cultuada, bem lembrada, quase sem similar em outro idioma.
A gente sente saudade depois de uma perda. Devido a distância sentimos saudade de tantas pessoas.
Saudade pode ser definida como um apertume no peito. Uma sensação de pura nostalgia. Que pode nos levar às lágrimas.
Saudade varia em intensidade. Depende do tanto que amamos alguém.
Ela pode desaparecer com o tempo. No entanto, durante o sono, quando sonhamos com aquele ente querido, com aquela pessoa que amávamos, logo ela vem.
E pode desparecer como aquela borboleta azul e branca. Pois ela avoa de flor em flor. E tem vida efêmera.
Para se sentir saudade carece, sobretudo, de sensibilidade. Ela é inerente não apenas aos fracos. Pode ser sentida em todo mundo. E se manifesta de várias maneiras. Com lágrimas escorrendo pelo canto dos olhos. Por um singelo olhar tristonho. Ou simplesmente, quando a gente chora sem perceber.
Saudade tem sabor de uma manga doce. Com aquele caldinho amarelo marcando-nos os lábios. Ou, até mesmo de uma fruta amara. Pois saudade, da mesma maneira, pode simular um punhal ensartado no peito. E ela pode doer. De tanta intensidade.
Saudade não é sinal de fraqueza. Os fortes, os homens, mesmo os mais másculos, da mesma forma sentem saudade. Devido à mulher que um dia amou. E foi abandonado por pura infelicidade.
Saudade rima com castidade. Pois, aquela pessoinha linda, que um dia amou alguém, e se deixou levar pelo desamor, após ter perdido aquele a quem amava tanto, se viu na amargura da perda de seu primeiro amor.
Saudade não requer juventude para senti-la em sua plenitude. A gente sente saudade em qualquer fase da vida. Desde a primeira infância até a idade provecta. Desde a senilitude até os verdes anos.
A gente a sente em qualquer momento. Durante a noite, quando o sono não vem. Durante as madrugadas que me fazem tão bem.
Hoje mesmo senti saudade. Aqui do lado tenho as fotografias dos meus pais. Da minha meninice senti saudade. Quantos anos fazem que a minha infância passou.
Nestes tempos de pandemia as mortes acontecem dia após dia.
Nunca tantas pessoas perderam a vida. Contabilizam-se perdas cada vez mais. O obituário cresce a cada dia.
Bem sei que as mortes são inevitáveis. Elas se sucedem às vidas.
O queria seria deste mundo se apenas nascessem crianças. Logo ele estaria entupido de gente.
Nunca se cultuou tanto a saudade. Sentimento que aparece e desaparece dentro da gente sem mais ou menos.
Nunca se viu tanta tristeza. Tanto choro e derramar de lágrimas.
Flores enfeitam as lápides dos cemitérios. Contabilizam-se mortes. Contam-se lamentos.
Cansei de prantear a morte. Melhor seria assistir ao sorriso de uma criança.
Ao invés de derramar lágrimas de pura saudade.