Assim deve ser o paraíso

Hoje o céu amanheceu cinzento. O azul celestial não se deixava ver.

O sol, então, devia estar dormindo.  De ressaca, apaixonado, depois de uma noite de amor com a lua.

Aqui cheguei antes das seis e meia. O prédio vazio, uma calmaria se permitia ver por todas as partes. Até parece um feriado. Que vai acontecer na próxima segunda-feira.

Setembro em seu começo. A primavera tem inicio quase ao final do mês.

Como de rotina liguei meu computador. Acendi as luzes do aquário. Tomei meu cafezinho expresso. E, a seguir alimentei meus peixinhos que naquela manhã já estavam famintos.

É maravilhoso vê-los nadando freneticamente naquelas águas cristalinas.

Talvez seja esta a primeira impressão que me vem à lembrança do que seja o paraíso.

Um lugar imaginário. Que não existe em verdade. Apenas uma utopia minha.

O paraíso, que me veio à imaginação, neste dia três de setembro, deve ser tal e qual o meu aquário.

Límpido, transparente, cheinho de pessoinhas felizes como os meus peixinhos aquarianos.

Sem problemas, sem desavenças, onde todos são iguais, sem distinções.

O tal paraíso, por mim idealizado, não deve ter diferenças de classes. Ali a pobreza não deve existir. Ricos e pobres se equivalem.  Todos são iguais mesmo que nascidos em berços distintos.

O paraíso que imaginei, nesta manhã de quinta-feira, a chuva deve cair mansamente. Lá não existiriam tempestades que varrem a terra, deixando no seu rastro mortes nem sofrimento.

Neste paraíso fictício não existiriam filas às portas dos bancos. Muito menos pessoas infelizes a espera de  benesses do governo.

Neste meu paraíso, surreal, muito menos existiriam enfermidades. Hospitais seriam locais de descanso. Verdadeiros resorts a beira mar.

Neste paraíso, por mim idealizado, não haveria sofrimento. Todos seriam felizes. Anjos tocariam harpas. Querubins dançariam ao som de violinos. E todos louvariam a um Deus não imaginário.

Hoje acordei a hora de sempre. Parece que sonhei com o tal paraíso.

No entanto, foi só chegar aqui, neste sétimo andar, olhando a cidade adormecida, céu cinzento, os peixinhos do meu aquário nadando freneticamente, veio-me à ideia o tal paraíso.

Será que ele existe? Da mesma forma existe vida após a morte? Pra onde iremos depois do nosso passamento?

É uma incógnita que me atormenta.

Uma certeza me enche a cabeça.

O paraíso é aqui mesmo. Tudo depende de nós. Da forma que encaramos a vida.

Que deve ser vivida a cada momento. Sem mágoas ou ressentimentos. Em intensidade plena.

 

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