Já durmo pouco. Ainda mais nestes dias quentes, nascimento de setembro.
Durante a noite rolei na cama. Acordei por volta das três da madrugada.
Durante as horas que me restavam, antes da seis, minhas lembranças levaram-me a minha querida avó.
Vó Belica morava numa casa elevada no começo da Rua Costa Pereira. Confrontava com a velha caixa d’água que até hoje existe.
Agora, voltando os olhos pro lado esquerdo, ainda vejo um predinho imponente, que meu pai construiu, que leva o nome do meu saudoso avô.
A casa dos meus avós era de um estilo intimamente ligado ao passado. Tinta da cor da saudade. Um alpendre pequeno era por onde a gente entrava. Do lado esquerdo um apartamentinho servia de morada a uma tia querida. Casada com um radioamador, cidadão prestante, sempre a serviço das mensagens enviadas pra longe.
Ao adentrar aquela casa, onde havia um jardim onde minha avó plantava rosas amarelas, do lado esquerdo um quartinho aconchegante era onde dormia outro tio. Tio Rubio ainda vive. De vez em quando me encontro com ele pelas ruas da minha cidade.
Mais adiante, naquela casa de tantas recordações alegres, uma sala ampla era onde nos reuníamos. Ainda me lembro de minha mãe. Não havia televisão naqueles tempos. Apenas nos era permitido conversarmos em animadas prosas. Que sempre terminavam em despedidas ruidosas. Pois cada um dos netos por ali passava nos intervalos das escolas.
Logo a seguir era a sala de jantar. Composta de uma mesa enorme. Onde tomávamos café. Acompanhado de alguns quitutes que só minha avozinha sabia fazer.
Pertinho da tal sala havia um banheiro. Grande o bastante para caber tantos primos que por ali passavam.
Ao fundo daquela casa era o quarto dos meus avós. Grande o bastante para acolher tantas crianças que hoje já são adultos. Muitos, como eu, já são se tornaram avós.
A cozinha era aos fundos daquela residência. Ainda me lembro de pequenos detalhes intimamente guardados dentro de mim. Uma despensa guardava as guloseimas. Era onde me escondia quando pilhado em artes inenarráveis.
Mas, o que me traz velhas recordações era a horta onde foi plantada uma jabuticabeira. Com que voracidade nos lançávamos aquelas frutinha pretinhas. Disputávamos as mais doce com os marimbondos. Era uma pra eles e a maior para nós.
A horta de couve me seduzia. Ali eram plantados cenouras amarelinhas. Quiabo de fazer salivar a boca. Cabeças de alface de encher-nos os olhos de admiração.
Mas, o que me fez pensar em escrever, esta crônica de hoje cedo, dia um de setembro, dia ensolarado, quente, foi um único pé de couve que existia lá.
Era um pezinho raquítico. Constava de uma só haste. E algumas folhinhas de couve verdinhas.
Aquele pezinho de couve não era destinado as nossas refeições. E sim para dar de comer aos canarinhos da terra que por ali passarinhavam.
Conforme minha avozinha dizia, com sua bondade cristalina, um pé de couve a mim basta.
Ele foi por mim plantado para dar de comer aos passarinhos.