Temos a mesma idade. Ambos completamos setenta.
Doce infância.
Foi lá, naquele ambiente saudável, que aprendi a me exercitar.
Foi naquela piscina hoje remodelada que aprendi a nadar. Foi naqueles campos de cimento batido que jogava futebol de salão.
Foi naquelas quadras que até hoje existem que tomei gosto pelo tênis. Jogava ao lado do meu pai e outros amigos que o tempo sepultou.
Aquele clube pertinho da casa dos meus pais, bem defronte, faz parte das minhas mais gratas recordações.
Era ali, naquele campão enorme, naquele gramado exuberante, onde me iniciei em outro esporte. Até hoje não tomei gosto por aquelas partidas monótonas. Prefiro outras modalidades. A exemplo aquela que se pratica com as raquetes.
Foi naquele mesmo clube, que daqui se avista pela metade, onde, menino artioso, brincava de pique esconde naquela construção antes inacabada. Agora toda remodelada. Convertida num bar. E, por debaixo se esconde uma aprazível sauna.
Foi naquelas dependências que aprendi que o esporte faz bem não só ao corpo como também a alma. Pelo esporte se fazem homens de bem. Não apenas educa como da mesma forma indica o bom caminho.
Foi lá, naquele clube, hoje de portas fechadas, aonde ainda ia, na parte da tarde, exercitar-me na academia. Como lhe sinto falta.
Já hoje, graças a tal pandemia, o tal clube de tantas lembranças, permanece sem previsão de se abrir de novo.
Lá tenho amigos chegados. Sinto falta do Tião da sauna. Do primo Jaime. Do Joãozinho gigante. Do Feijão sempre saltitante. Do Isaias que sempre comparece aos meus lançamentos de livros. E da presença sempre gratificante dos amigos da academia.
Aquele clube, naquela rua onde cresci, aprendi a ser gente, me inspira quanta coisa boa.
Foi naquela piscina, a menor, ainda de águas não tão aquecidas, onde aprendi, em mergulhos rápidos, como eram lindas as pernas da minha namorada. Que hoje é a minha esposa amada.
Foi naquele clube, intimamente ligado ao meu passado, onde aprendi que amigos são pra toda vida. Mesmo que alguns deles já não mais pertencem a este mundo.
Ali, naquelas alamedas floridas, onde subia e descia o morro, para chegar as quadras de tênis. Ainda hoje, quando passo por elas, vejo meu nome gravado numa placa comemorativa.
Aquele clube não pode continuar fechado. Já é hora de os portões se abrirem.
Não vejo a hora de adentrar em suas dependências. Para de novo rememorar o passado.
Ali passei os melhores anos de minha vida.
E espero assim continuar por muitos anos mais.