A vida não estava sendo fácil para aquele homem trabalhador.
Desempregado fazia tempo, contavam-se anos, Seu José, metalúrgico de profissão, desde quando aprendeu a trabalhar, um dia recebeu o cartão vermelho. A fábrica pediu concordada. Devido a tal pandemia que se alastrava por todo o mundão.
Como ele outros foram mandados pro olho da rua. E perambulavam solitários em busca de trabalho.
Seu José, pai de família, morando de aluguel, começou a atrasar as prestações.
Em casa faltava de tudo. O mínimo necessário para a sobrevivência. A geladeira, sempre vazia, fazia companhia à despensa. Os três filhos menores estavam confinados em casa. Todos eles sentiam falta da escola. Que não tinha data para o recomeço.
Naquela manhã de outono, temperatura em elevação, o agoniado Seu José mais uma vez deixou a casa na esperança de conseguir trabalho.
O céu se mostrava azul. Era outono. Um solzinho tímido ajudava a clarear o dia.
Quando saiu de casa o relógio assinalava cinco da manhã. As ruas estavam semivazias.
Com o jornal do dia anterior debaixo do braço aquele homem bom encaminhou-se a um endereço onde eram ofertadas vagas.
Mas, quando ali chegou, constatou que a tal vaga já estava ocupada. Alguém infelizmente chegou antes. Mais uma desesperança morta na caminhada de Seu José em busca de ocupação.
Dias se sucederam. Meses foram deixados atrás.
E a situação do Seu José se complicava cada vez mais.
Num dia de semana, parece que numa quarta-feira, mais uma vez, alertado por um amigo, desta vez parecia que tudo daria certo nas pretensões daquele desempregado.
A mesma fábrica, onde trabalhou por anos a fio, de novo abriu as portas. Tudo ensejava que o nosso desiludido amigo enfim conseguiria voltar ao trabalho.
Mas ainda não foi desta vez. Seu José foi preterido por outro mais jovem. E mais uma vez voltou a casa na mesma desilusão que fazia parte de sua vida.
Mais outro dia de ócio, sem o que fazer, aquele senhor, já longe da mocidade, assentou-se a um banco da praça, a espera de os bancos se abrirem.
Segundo fora informado ele teria direito ao auxílio emergencial. Benesse do governo para os desempregados.
Mas, assim que chegou a sua hora, de receber o prometido, descobriu que seu cadastramento fora negado. Por um motivo desconhecido.
Mais uma vez Seu José, profundamente acabrunhado, voltou a casa. Sem nada no bolso a oferecer aos filhos.
No dia seguinte a mesma rotina. Saiu às ruas, em busca de emprego.
Três dias depois a mesma ladainha. Nada de conseguir trabalho. Foi quando a fome apertou. E as necessidades buzinavam estridentes nos ouvidos moucos do Seu José.
Um dia o desespero aportou naquela porta. Sem emprego, sem nenhuma economia, a família foi despejada.
Passaram a viver de favor num albergue lotado.
A semana acabou num domingo. Seguiu-lhe outra, quase igual.
Foi mais um dia de ócio na vida do Seu José. Desempregado fazia tempo. Vivendo em condições sub-humanas. Semelhantes a outros brasileiros. Que perambulam país inteiro. Sofredores que são.