Tempos difíceis estes.
Os preços estão nas alturas. Salários em baixa. Quando ainda existem…
Desemprego em alta. Inflação desmesurada. Pessoas desamparadas vagueiam atônitas pelas ruas. Quando deveriam estar em casa.
A tal pandemia assusta muita gente. Principalmente aqueles em idade mais avançada.
No entanto, contrariando as recomendações, filas enormes se formam à porta dos bancos.
As ruas, ao revés, quando deveriam estar vazias encontram-se entulhadas de caminhantes. Como faz falta exercitarmos a cada dia.
De vez em quando observo um corredor. Ele, carente de endorfina, corre a pernas soltas pelas ruas da cidade.
A crise se manifesta em nosso cotidiano. Consultórios vazios. Onde estão os pacientes? Será que a saúde lhes bafeja sorridente? Ou, talvez seja por outro motivo. A falta de dinheiro é o grande responsável pela situação alarmante por que passa o mundo.
Lojas de portas fechadas. O comércio grita para que novamente lhe permitam que se abram as portas. Tudo se mostra parado. Apenas pássaros avoam.
Um compadre, por quem tenho o maior apreço, um dia me asseverou: “sabe? Se a coisa continuar assim morreremos não da tal virose. E sim de fome. Confinados em nossos lares. Neste isolamento indecoroso”. Não tive como não concordar com ele. A razão está do seu lado.
A coisa não está fácil para ninguém. Salvo para aqueles bem aquinhoados pela sorte. Que recebem gordos salários. Que vivem à custa do povo.
Por onde andam os professores de educação física? Os personais que precisam manter sua atividade? E os ambulantes que necessitam vender os seus produtos. O churrasqueiro da esquina. Aquela moça que vive na praça a espera de crianças para andar em seus carrinhos?
Fico pensando na situação das donas de casa. Cujos maridos estão desempregados. Nos lojistas que têm suas contas dependuradas. Pago nem sei quando. Até quando Deus quiser.
Lucubro sobre a difícil situação dos patrões. Que têm de manter seus negócios fechados. No entanto as contas não param. E como prover o sustento de suas famílias?
E quem usa o transporte coletivo para se deslocar em direção ao trabalho? Nas horas de pico como manter a distância recomendada?
Penso nos profissionais de saúde que tem de ficar na linha de frente. Sob o risco iminente de se contaminarem. É um tal de trocar de roupa, esfregar as mãos, usar as tais máscaras, como se fossem soldados numa guerra interminável.
A coisa não anda nada fácil para cada um de nós. Principalmente soldados rasos desta guerra que tem feito vítimas entre pessoas inocentes.
Ontem mesmo saí às ruas. Contrariando as recomendações não usava máscara. Filas enormes se formavam à porta dos bancos. Pessoas angustiadas aguardavam pacienciosamente a hora de receber aquela esmola prometida pelo governo.
Interpelei uma delas. Era uma senhora trazendo nos braços uma linda menina.
Segundo ouvi de sua própria boca, num átimo, ela me disse: “quer saber? Há dias espero estes míseros seiscentos reais. Tomara me permitam passar o mês. Em minha casa falta de tudo. Meu marido morreu do tal coronavirus. E nos deixou órfãos de seu ganha pão. Agora, com meus três filhos para cuidar, só me resta ficar nesta fila. A espera de dias melhores”.
Hoje, pensando na vida, enquanto esta pandemia persistir, tomara que a coisa melhore em pouco tempo. Do jeito que está o sofrimento de nosso povo não vai ter fim.