Que lindo dia amanheceu neste onze de março.
Lá fora brilha o sol. Nenhuminha nuvem se mostra no alto. O azul prepondera.
No entanto, para quebrar o encanto, o cinza se mostra escuro dentro de mim.
Por vezes acordo com um estranho pressentimento. Sonho com dias escuros. Que a chuva despenca. Pessoas, vitimas de desabamentos, perdem a vida durante as tempestades.
E eu, impotente, nada posso fazer para impedir vidas ceifadas. Como recentemente aconteceu durante as últimas chuvas caídas numa cidade do estado de São Paulo.
Ao acordar percebo que foram apenas sonhos ruins. O sol brilha lá fora. O clarume do sol machuca as minhas retinas.
Saio de casa em direção ao trabalho. Começo a atender a partir das oito da manhã. O prédio ainda está vazio. Subo pelo elevador. Olho em direção ao espelho. E percebo, naquela superfície espelhada, olheiras profundas. Sinais indeléveis de uma noite mal dormida.
Lá fora brilha o sol. No entanto, dentro do meu eu, prepondera o cinza de um dia nublado.
Como explicar tal contraste? Um dia lindo como este deveria me contaminar por dentro.
Mas, sou como uma chuva dentro de um sol radiante. Uma alma errante que sofre sem ter motivos.
Tenho tudo para ser feliz. Uma família maravilhosa. Uma profissão meritória. A saúde ainda me permite caminhadas longas.
No entanto, sem explicação evidente, por vezes acordo taciturno. Embora do lado de fora da minha janela brilhe o sol dentro de mim a escuridão predomina.
Estou assim. Sujeito a altos e baixos. Num dia acordo alegre. Com vontade de cantarolar. Noutros nem abro a janela. Prefiro nem sair da cama. Permanecer entre os lençóis com a cabeça coberta. Impedindo o sol adentrar em meu quarto.
Hoje aconteceu deste jeito. Um dia lindo se mostra lá fora. Mas, dentro de mim a escuridão predomina.
Como mudar este estado de coisas? Não sei a receita. Seria mais fácil fazer um bolo.
No entanto os dias mudam. E eu não consigo mudar o que se passa dentro do meu eu.
Passam os dias. A vida passa. E como o tempo caminha veloz. Ontem tinha vinte anos.
Hoje adentrei aos setenta. Embora não me sinta velho a idade contesta o que sinto dentro de mim.
No dia de hoje minhalma acordou escura como um dia nublado. Ontem foi diferente.
Talvez amanhã a felicidade retorne. E eu me sinta mais alegre. Como o dia que amanheceu nesta quarta-feira do mês de março.
Do lado de fora da minha janela o sol brilha forte.
Acontece, que dentro de minhalma a tristeza predomina. Eu sou assim.
Num dia brilha o sol. Noutro a cinzentice me domina.