Que dia escuro se mostra lá fora. Chove miúdo. Nuvens ameaçadoras encobrem o azul do céu.
Parece, no decorrer do dia, que mais chuva cairá incessantemente. O cinza predomina. O sol reluta em deixar seu leito nupcial.
Dias nublados não me inspiram alegria. Sinto por dentro uma nostalgia profunda. Sou refém da luminosidade. A noite não a tenho em alta estima.
Prefiro as madrugadas. A luz do sol não apenas ilumina o céu como também contribui para minhalma se alegrar.
O cinza me faz triste. Assim como a escuridão não é boa companhia.
Hoje, fevereiro em seu começo, o dia amanheceu chuvoso. Choveu durante a noite. Pingos d’água se deixam ver na minha janela.
E como tem chovido durante este início de ano. Desde janeiro passado não tenho visto outra coisa. Enchentes, deslizamentos de terra, pessoas que perderam tudo, do pouco que possuíam, agora são acolhidas em locais distintos de suas casas. Em abrigos improvisados. Dependentes das benesses de terceiros.
Chove lá fora. Aqui, onde passo grande parte do tempo tive de levantar as persianas. Abri um cadinho as janelas. Para poder enxergar o entorno.
O céu ainda se mostra cinzento. Tudo está escuro. Salvo uma nesguinha de luminosidade que se avista no horizonte.
O casario baixo mal se deixa ver. Os peixinhos do meu aquário nadam frenéticos. Acabei de despejar ração nesta manhã cinzenta. E como eles são famintos. Assim como tenho fome de escrever.
Dias cinzentos acinzentam-me a alma. Dependo da claridade como o cego independe da luz do dia para viver.
Lá fora ainda chove. Chove também dentro de minhalma. Ela está tristonha. Acabrunhada. Infeliz.
Tomara, no decorrer do dia, o sol se mostre de corpo inteiro. As nuvens esparramem o cinza. E o céu se torne novamente azul.
Agora o relógio marca dez minutos para as sete da manhã. Ainda chove miúdo. A escuridão predomina. Tudo indica que a chuva vai continuar no decorrer do dia.
A serra da Bocaina está parcialmente envolta num cachecol de nuvens claras. Talvez ela sinta frio. E eu sinto calor.
Dias nublados me tornam taciturno e sombrio. Prefiro a luminosidade do sol a escuridão do cinza.
Hoje acordei a mesma hora de sempre. Abri a janela e percebi uma chuvinha mansa a cair. Quase permaneci no leito.
Levantei-me, passei pelo cômodo de banhos, lavei meu rosto sonolento, escovei os dentes, e deixei meu apartamento em direção a onde estou. Abri a janela. Levantei as persianas.
Do lado de fora do meu consultório uma claridade acaba de iluminar o céu cinzento. De repente a chuva deu trégua.
O cinza se dissipou. A claridade se fez presente.
Tudo indica que no decorrer do dia a chuva vai parar. O cinza vai se dissipar. E o sol, radiante e radioso, tomara vai iluminar o dia.
Da mesma maneira a minhalma vai se alegrar. Bom dia a todos vocês. E muito sol em suas vidas. Nesta manhã de terça-feira. Começo de fevereiro.