Fevereiro começou com o céu cinzento, chuvoso, prenunciando mais chuva no decorrer do dia.
Como se não fosse o bastante todas as chuvas que abundaram no mês de janeiro ainda continua a chover.
Aqui na cidade chuva em demasia não deixa de causar atropelos. Enchentes, deslizamentos de terra, azáfama no trânsito, são alguns dos percalços que afligem os moradores da cidade.
No entanto, na roça do amigo Pedro, chuva é sinal de fartura. Não apenas enverdece a pastaria, faz crescer a roça de milho, revitaliza as minas d’água, como também aumenta a produção leiteira. O cafezal, já carregado de frutinhas verdes, prenuncia uma colheita farta. Mais renda para o amigo. Que, nesta hora quase madrugada já está de pé, ordenhando as vacas.
O carnaval acontece ao final deste mês. São quatro dias de folia. Mas, para ele, e outros que vivem na roça, não existe feriado. O trabalho continua. Pois vacas não usam fantasias. Embora muitos na cidade se fantasiam de animais.
Tomara chova no carnaval. Não apenas para acalmar o fogo dos cidadãos. Este é o desejo genuíno do amigo Pedro. Confesso ser o meu também. Que nos tempos de agora não mais aprecia as festas de momo.
Dizem que o país só começa ao final do carnaval. Que país é este que se dá ao luxo de folgar tantos dias? Onde infelizmente grassa o desemprego. A miséria predomina. Tantas e tantas famílias não tem o mínimo para sobreviver.
Quando penso em tantos dias de folia, tanta algazarra, veem-me a lembrança de quando jovem.
O carnaval era diferente. Vou beijar-te agora, pois hoje é carnaval, não me leve a mal.
Eram quatro dias de alegria genuína. A violência era banida dos bailes de carnaval. As escolas de samba desfilavam na avenida. Sob nossos olhares atentos. Com aquelas marchinhas líricas. Saborosas de se ouvir.
Já hoje, neste fevereiro que se inicia, chuvoso, cinzento, quase o mês inteiro só se fala em carnaval. A meu ver festa para turista ver. Sobretudo no Rio de Janeiro, na Bahia de São Salvador, e noutras cidades grandes, onde a festa não tem hora de terminar.
Tomara chova durante o carnaval. Para que a folia não extrapole os limites da decência e da ordem. Para que o país não tenha tanto prejuízo durante aqueles feriados. Para que a mocidade não tenha motivos de se queixar depois da festa terminada.
Para mim carnaval perdeu o brilho. Durante o feriado vou pro mato. Prefiro descansar.
As chuvas de carnaval são o indício de mais água que deve cair. Na roça do amigo Pedro ela é motivo de júbilo. Na cidade ela faz o desencanto dos foliões.
Tomara chova, quatro dias sem parar. E, quando a chuva cessar, aí sim, terei motivos de sobra para me alegrar.